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Erros comuns dum revisor principiante

por Ricardo Tavares Lourenço, em 08.03.13

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

No passado mês de Novembro estive presente no Segundo Congresso Internacional de Revisores de Textos em Espanhol, na cidade de Guadalajara, México, evento que fez parte da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, uma das importantes e fascinantes do mundo não só pelo tamanho, mas também pela organização e diversidade de atividades. Foi uma grande ocasião para o reencontro com bons amigos, conhecer mais outros de toda a parte, comprar livros e gozar da hospitalidade mexicana, onde sinto-me como em casa.

 

Logo após de apresentar a minha palestra, intitulada Revisão de textos: disciplina da linguística aplicada, duas raparigas fizeram-me uma pergunta em privado muito interessante: quais são os erros que os jovens revisores cometem? Naquele momento respondi para elas grosso modo, mas agora quero dar uma resposta mais pormenorizada e que sei pode ser de grande utilidade para os novos profissionais.

 

Segundo a minha experiência, mais o que já tenho pesquisado, posso dizer que eles cometem as seguintes falhas:

 

1) Ler muito rápido para acabar imediatamente. Alguns acham que um bom revisor é aquele que faz rápido o seu trabalho, que pode corrigir 100 páginas num dia e assim conseguir que o seu chefe fique muito contente. Isto é um grande perigo, porque o revisor precisa observar não só detalhes tão pequenos como vírgulas, pontos e acentos, mas também o sentido do texto, a coerência, etc. Por tanto, ler a essa velocidade é arriscar-se a deixar erros por corrigir. A leitura dum revisor profissional é muito mais pausada em comparação com a dum leitor comum, com constantes releituras e fixações. Isto está demonstrado numa pesquisa em francês titulada L'œil du correcteur enregistré par eyetracking [O olho do revisor gravado por eyetracking], que pode ser visualizada no seguinte endereço no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=TSeTLb9MMyQ. Isto deve ser entendido pelos autores e editores, que às vezes pressionam sem base.

 

2) Corrigir quando não é preciso. Há duas manifestações desta falta. A primeira é que os revisores principiantes tem horror vacui quando corrigem, ou seja, sentem-se inquietos quando verificam que uma página dum livro não tem um único erro, então ficam descansados se mudam pelo menos uma vírgula e desta maneira "justificam" o seu trabalho perante o cliente. A segunda é que alguns revisores são tão perfecionistas que não gostam do texto e acabam por reescrever quase tudo. Há que lembrar, como bem diz Alicia Zorrilla, revisora argentina de grande trajetória, que o revisor não é coautor e que o seu papel é aperfeiçoar o texto. Além disso, ela acrescenta no seu livro Normativa lingüística española y corrección de textos [Normativa linguística espanhola e revisão de textos] que o revisor deve seguir mais quatro princípios: i) não mexer no texto original se a sua redação é tão correta que não o precisa, ii) não justificar vãmente o seu trabalho com substituições lexicais ou sintácticas inadequadas ou desnecessárias, iii) sempre consultará o autor e respeitará a sua opinião se se tratar de questões discutíveis, e iv) o revisor deverá fundamentar cada uma das suas emendas de caráter linguístico (2009, pp. 117-118).

 

3) Ajustar-se só à ortografia e gramática normativa. A maioria dos revisores são graduados em Letras, Jornalismo, Tradução e demais carreiras afins, e boa parte da sua formação linguística é de enfoque normativo. Relacionado com a falha acima descrita, alguns revisores não gostam de certas variações linguísticas que não são propriamente erros, sobretudo nos casos dialetais ou socioletais. A revisão deve garantir, acima de tudo, a clareza da mensagem e considerar o contexto discursivo onde está enquadrado o texto.

 

4) Consertar todos os detalhes duma publicação de uma só vez. Esta falha está relacionada com a primeira, a velocidade. A melhor estratégia é rever separadamente as diferentes partes da publicação: paginação, cabeçalhos, hierarquia de títulos, cortes de palavras, unificação, rodapés e demais. Tentar corrigir tudo de uma só vez pode ter como consequencia deixar de fora algum erro que pode obscurecer a qualidade da obra.

 

É importante que os cursos de capacitação de revisores advirtam sobre estas falhas, para garantir uma ótima atuação no trabalho e educar os demais atores da indústria editorial.

 

***

 

(Español)

 

ERRORES COMUNES DE UN CORRECTOR PRINCIPIANTE

 

Ricardo Tavares L.

 

El pasado mes de noviembre estuve presente en el Segundo Congreso Internacional de Correctores de Textos en Español, en la ciudad de Guadalajara, México, evento que formó parte de la Feria Internacional del Libro de Guadalajara, una de las importantes y fascinantes del mundo no solo por el tamaño, sino también por la organización y diversidad de actividades. Fue una gran ocasión para el reencuentro con buenos amigos, conocer otros más de todas partes, comprar libros y gozar de la hospitalidad mexicana, donde me siento como en casa.

 

Justo después de presentar mi ponencia, titulada Corrección de textos: disciplina de la lingüística aplicada, dos muchachas me formularon una pregunta en privado muy interesante: ¿cuáles son los errores que los jóvenes correctores cometen? En aquel momento les respondí grosso modo, pero ahora quiero brindar una respuesta más detallada y que sé puede ser de gran utilidad para los nuevos profesionales.


Según mi experiencia, además de lo que ya he investigado, puedo decir que ellos cometen las siguientes faltas:

 

1) Leer muy rápido para terminar inmediatamente. Algunos creen que un buen corrector es aquel que hace rápido su trabajo, que puede corregir 100 páginas en un día y así lograr que su jefe quede muy contento. Esto es un gran peligro, porque el corrector requiere observar no solo detalles tan pequeños como comas, puntos y acentos, sino también el sentido del texto, la coherencia, etc. Por tanto, leer a esa velocidad es arriesgarse a dejar errores sin corregir. La lectura de un corrector profesional es mucho más pausada en comparación con la de un lector común, con constantes relecturas y fijaciones. Esto está demostrado en una investigación en francés titulada L'œil du correcteur enregistré par eyetracking [El ojo del corrector grabado por eyetracking], que puede ser vista en la siguiente dirección en YouTubehttp://www.youtube.com/watch?v=TSeTLb9MMyQ. Esto debe ser entendido por los autores y editores, que a veces presionan sin base.

 

2) Corregir cuando no es necesario. Hay dos manifestaciones de esta falta. La primera es que los correctores principiantes tienen horror vacui cuando corrigen, o sea, se sienten intranquilos cuando verifican que una página de un libro no tiene ni un solo error, entonces se quedan aliviados si cambian por lo menos una coma y de esta manera "justifican" su trabajo ante el cliente. La segunda es que algunos correctores son tan perfeccionistas que no les gusta el texto y terminan por reescribir casi todo. Hay que recordar, como bien dice Alicia Zorrilla, correctora argentina de gran trayectoria, que el corrector no es coautor y que su papel es perfeccionar el texto. Además de eso, ella añade en su libro Normativa lingüística española y corrección de textos que el corrector debe seguir cuatro principios más: i) no tocar el texto original si su redacción es tan correcta que no lo necesita, ii) no justificar vanamente su trabajo con sustituciones léxicas o sintácticas inadecuadas o innecesarias, iii) siempre consultará al autor y respetará su opinión si se trata de cuestiones discutibles, y iv) el corrector deberá fundamentar cada una de sus enmiendas de carácter lingüístico (2009, pp. 117-118).

 

3) Ajustarse solo a la ortografía y gramática normativa. Mayormente los correctores son graduados en Letras, Periodismo, Traducción y demás carreras afines, y buena parte de su formación lingüística es de enfoque normativo. Relacionado con la falta antes descrita, a algunos correctores no les gustan ciertas variaciones lingüísticas que no son propiamente errores, sobre todo en los casos dialectales o sociolectales. La corrección debe garantizar, ante todo, la claridad del mensaje y considerar el contexto discursivo donde está enmarcado el texto.

 

4) Arreglar todos los detalles de una publicación a la vez. Esta falta va relacionada con la primera, la velocidad. La mejor estrategia es revisar por separado las diferentes partes de la publicación: paginación, encabezados, jerarquía de títulos, cortes de palabras, unificación, pies de página y demás. Tratar de corregir todo a la vez puede llevar como consecuencia dejar por fuera algún error que puede oscurecer la calidad de la obra.

 

Es importante que los cursos de capacitación de correctores adviertan estas faltas, para garantizar una óptima actuación en el trabajo y educar a los demás actores de la industria editorial.

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publicado às 21:22



Prof. Ricardo Tavares L.

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