Contacto Lingüístico


«Si linguis hominum loquar et angelorum, caritatem autem non habeam, factus sum velut aes sonans aut cymbalum tinniens» (I Cor: 13, 1)

A linguagem, através da língua e da fala, revela nossas origens, cultura, limites e percepção do mundo. Estudá-la com a ajuda de muitas disciplinas fará possível compreender como somos nós. O objectivo deste blog é que o leitor tenha um contacto mais consciente com o maior instrumento que possui para a comunicação, o qual pode tanto abrir portas como fechá-las na sociedade onde mora. Bem-Vindos.


 

El lenguaje, a través de la lengua y del habla, revela nuestros orígenes, cultura, límites y percepción del mundo. Estudiarlo con la ayuda de muchas disciplinas hará posible comprender cómo somos nosotros. El objetivo de este blog es que el lector tenga un contacto más consciente con el mayor instrumento que posee para la comunicación, el cual puede tanto abrir puertas como cerrarlas en la sociedad donde vive. Bienvenidos.

09 Fevereiro 2010

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

 

No ano 2007 (e com actualização em 2008) foi publicada uma obra muito interessante: Atlas da língua espanhola no mundo, com o apoio da Fundação Telefónica, o Instituto Cervantes e o Real Instituto Elcano. Neste livro apresenta-se a importância e projecção do espanhol no mundo fora, não só pela quantidade de falantes nativos, mas pela sua influência noutros idiomas do planeta e até pelo seu valor económico.

No capítulo sobre o espanhol no Brasil fala-se sobre um dos resultados do contacto entre aquela língua e o português: o portunhol. Eis a explicação e definição:

«Em relação à cercania e o contacto do espanhol com o português no Brasil, merecem comentar-se duas situações linguísticas: a existência da variedade de mistura chamada "fronteiriço", nos limites com o Uruguai, e a convivência das duas línguas, sem que se tenha criado uma variedade de mistura estável, na área de fronteira entre Brasil, Colômbia e o Peru, especialmente nas cidades de Letícia (Colômbia) e Tabatinga (Brasil), cidades unidas fisicamente, mas que mantém as suas respectivas identidades culturais. A denominação portunhol aplica-se mais propriamente à mistura das línguas espanhola e portuguesa produzida por desconhecimento de alguma delas ou como consequência duma aprendizagem deficiente» (p. 77) (tradução ao português do RTL).

Para os autores do livro, Francisco Moreno Fernández e Jaime Otero Roth, o portunhol não têm nada a ver com o contacto linguístico de fronteira, mas trata-se dum processo interlinguístico característico dos aprendizes de ambas as línguas. Esta definição do portunhol é afim ao uso popular da palavra, que por vezes possui uma conotação pejorativa. Provavelmente o facto de que algumas misturas tenham nome próprio, como é o caso do fronteiriço, contribui a não usar o vocábulo portunhol para identificá-las. Por outra parte, a obra não reporta o portunhol na fronteira luso-espanhola, nem nos habitantes da Espanha e de Portugal, apenas menciona o «espanhol falado em Portugal e português falado na Espanha», o que faz pensar que o termo poderia ter surgido na América do Sul.

 

***

 

(Español)

 

PORTUÑOL SEGÚN EL «ATLAS DE LA LENGUA ESPAÑOLA EN EL MUNDO»

 

Ricardo Tavares L.

 

En el año 2007 (y con actualización en 2008) fue publicada una obra muy interesante: Atlas de la lengua española en el mundo, con el apoyo de la Fundación Telefónica, el Instituto Cervantes y el Real Instituto Elcano. En este libro se presenta la importancia y proyección del español en el mundo, no sólo por la cantidad de hablantes nativos, sino por su influencia en otros idiomas del planeta e incluso por su valor económico.

En el capítulo sobre el español en Brasil se habla sobre uno de los resultados del contacto entre aquella lengua y el portugués: el portuñol. He aquí la explicación y definición:

«En relación con la cercanía y el contacto del español con el portugués en Brasil, merecen comentarse dos situaciones lingüísticas: la existencia de la variedad de mezcla llamada "fronterizo", en los límites con Uruguay, y la convivencia de las dos lenguas, sin que se haya creado una variedad de mezcla estable, en el área de frontera entre Brasil, Colombia y el Perú, especialmente en las ciudades de Leticia (Colombia) y Tabatinga (Brasil), ciudades unidas físicamente, pero que mantienen sus respectivas identidades culturales. La denominación portuñol se aplica más propiamente a la mezcla de las lenguas española y portuguesa producida por desconocimiento de alguna de ellas o como consecuencia de un aprendizaje deficiente» (p. 77).

Para los autores del libro, Francisco Moreno Fernández y Jaime Otero Roth, el portuñol no tiene nada que ver con el contacto lingüístico de frontera, sino que  se trata de un proceso interlingüístico característico de los aprendices de ambas lenguas. Esta definición del portuñol es afin al uso popular de la palabra, que a veces posee una connotación peyorativa. Probablemente el hecho de que algunas mezclas tengan nombre propio, como es el caso del fronterizo, contribuye a no usar el vocablo portuñol para identificarlas. Por otra parte, la obra no reporta el portuñol en la frontera luso-española, ni en los habitantes de España y de Portugal, apenas menciona el «español hablado en Portugal y portugués hablado en España», lo que hace pensar que el término podría haber surgido en Sudamérica.

publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 03:09
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01 Janeiro 2010

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

 

A principal justificação do ensino da morfossintaxe em Comunicação Social é fornecer aos estudantes uma base sólida que lhes permita redigir com correcção, em outras palavras, adestrá-los na escrita, a qual será a sua matéria prima na sua vida laboral. Isto é verdade, mas não fica ali. O estudo da morfologia e da sintaxe da língua oferece ainda mais vantagens cognitivas, principalmente três: análise, memória e boa leitura.

 

A capacidade de análise é fundamental em qualquer profissional universitário. Perceber o porquê das coisas e saber explicá-las são processos quotidianos. Fazer uma afirmação requer sempre uma justificação. Por exemplo, na oração «A João lhe parecem difíceis as matemáticas» o sujeito é «as matemáticas», porque concorda com o verbo em pessoa e número e não está precedido por uma preposição. «A João» é complemento indirecto (reparem que começa com a preposição «a»). Esta é a resposta certa que um estudante deve gerar. Esta destreza o ajudará a não acudir à agressão, mas à razão, para argumentar as suas afirmações.

 

Nos nossos dias a memória está a ser muito desprezada na educação. Isto é um grande erro. Se não sabemos de memória os nomes das coisas, de dados, de datas, de lugares, a nossa transmissão de pensamento será muito fraca pela imprecisão. Em morfossintaxe é importantíssimo memorizar os nomes técnicos das categorias morfológicas, das funções sintácticas e os critérios de classificação dos tipos de palavras. Às vezes os estudantes falham na análise das estruturas idiomáticas por confundir os termos. Imaginem só se um médico esquece os nomes dos ossos do corpo humano!

 

Melhorar a destreza de leitura é mais outra vantagem do estudo da morfossintaxe. Muitos acentos ortográficos existem para diferenciar categorias morfológicas. Não é o mesmo em português dizer «Da esmola» que «Dá esmola», assim como em espanhol não significa o mesmo «Se parte de la historia» (Parte-se da história) que «Sé parte de la historia» (Seja parte da história). A falta de conhecimento do significado das palavras influi na má compreensão duma oração. Por exemplo, em «Exercerei com empenho estas funções» a frase com empenho pode ser interpretada por um estudante como um complemento circunstancial de companhia (acha que empenho é nome próprio), ou até complemento circunstancial de instrumento (acha que empenho é uma ferramenta) quando o certo é que com empenho é complemento circunstancial de modo.

 

Se o aluno entender estas vantagens quando estuda morfossintaxe, esses conhecimentos vão ser muito úteis não só para a boa escrita, mas também para argumentar com fundamento e precisão, e ao mesmo tempo descodificar adequadamente as mensagens que recebe, quer na fala, quer na leitura.

 

***

 

(Español)

 

LAS VENTAJAS COGNITIVAS DE ESTUDIAR MORFOSINTAXIS

 

Ricardo Tavares L.

 

La principal justificación de la enseñanza de la morfosintaxis en Comunicación Social es proporcionar a los estudiantes una base sólida que les permita redactar con corrección, en otras palabras, adiestrarlos en la escritura, la cual será su materia prima en su vida laboral. Esto es verdad, pero no queda allí. El estudio de la morfología y de la sintaxis de la lengua ofrece todavía más vantajas cognitivas, principalmente tres: análisis, memoria y buena lectura.

 

La capacidad de análisis es fundamental en cualquier profesional universitario. Entender el porqué de las cosas y saber explicarlas son procesos cotidianos. Hacer una afirmación requiere siempre una justificación. Por ejemplo, en la oración «A Juan le parecen difíciles las matemáticas» el sujeto es «las matemáticas», porque concuerda con el verbo en persona y número, y no está precedido por una preposición. «A Juan» es complemento indirecto (observen que comienza con la preposición «a»). Ésta es la respuesta correcta que un estudiante debe generar. Esta destreza lo ayudará a no acudir a la agresión, sino a la razón, para argumentar sus afirmaciones.

 

En nuestros días la memoria está siendo muy despreciada en la educación. Esto es un gran error. Si no sabemos de memoria los nombres de las cosas, de datos, de fechas, de lugares, nuestra transmisión de pensamiento será muy débil por la imprecisión. En morfosintaxis es importantísimo memorizar los nombres técnicos de las categorías morfológicas, de las funciones sintácticas y los criterios de clasificación de los tipos de palabras. A veces los estudiantes fallan en el análisis de las estructuras idiomáticas por confundir los términos. ¡Imaginen sólo si un médico olvida los nombres de los huesos del cuerpo humano!

 

Mejorar la destreza de lectura es otra vantaja más del estudio de la morfosintaxis. Muchos acentos ortográficos existen para diferenciar categorías morfológicas. No es lo mismo en portugués decir «Da esmola» (De la limosna) que «Dá esmola» (Da limosna), así como en español no significa lo mismo «Se parte de la historia» que «Sé parte de la historia». La falta de conocimiento del significado de las palabras influye en la mala comprensión de una oración. Por ejemplo, en «Ejerceré con empeño estas funciones» la frase con empeño puede ser interpretada por un estudiante como un complemento circunstancial de compañía (cree que empeño es nombre propio), o incluso complemento circunstancial de instrumento (cree que empeño es una herramienta) cuando lo cierto es que con empeño es complemento circunstancial de modo.

 

Si el alumno entiende estas vantajas cuando estudia morfosintaxis, esos conocimientos van a ser muy útiles no sólo para la buena escritura, sino también para argumentar con fundamento y precisión, y al mismo tiempo decodificar adecuadamente los mensajes que recibe, ora en el habla, ora en la lectura.

publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 00:01
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04 Dezembro 2009

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

 

Desde Outubro de 2008 dou aulas de Morfossintaxe do Espanhol na escola de Comunicação Social da Universidade Católica Andrés Bello. Neste primeiro ano (três semestres consecutivos) confrontei-me com cinco dificuldades pedagógicas que reflectem a complexidade do ensino desta parte do idioma:

1) «Há mais gramáticas do que gramáticos». Esta frase do Erasmo de Rotterdam na obra O elogio da loucura (1511) é uma realidade nos nossos dias. Cada gramático ou linguista estabelece os seus critérios de classificação e terminologia. Por tanto, o professor de Morfossintaxe tem nas suas mãos a grande labor de ler muitos livros e tentar adoptar regras de consenso, com a finalidade de que o professor e os seus alunos possam falar «na mesma linguagem».

2) 2 + 2 nem sempre dá 4. Os estudantes exigem verdades absolutas, mas como a língua é imperfeita (uma palavra pode ter diferentes categorias morfológicas ou funções sintácticas), o professor apresenta uma palavra como resposta: «depende», e isso gera neles muita incomodidade. Esta imperfeição contribui à dificuldade de fazer testes por parte do professor, pois deve lograr que as respostas sejam indiscutíveis. Para atingi-lo é necessário procurar muitas e muitas orações com grande paciência, sempre a pensar na capacidade dos estudantes.

3) Poucos livros e muito caros. É bastante frequente que os professores de Morfossintaxe façam guias de estudo que os estudantes devem reproduzir, pois além das razões explicadas no primeiro ponto, os livros de gramática são escassos para a grande população estudantil, e os melhores são muito custosos. Uma alternativa é que os alunos consultem os livros na biblioteca, mas o limite de exemplares dum livro acaba por ser desestimulante para os estudantes.

4) Ensino de gramática em diferentes faculdades e carreiras. O nível e a finalidade do ensino da gramática mudam segundo a classe de profissional. Não é igual o ensino da gramática para um estudante de jornalismo que para um estudante de Letras ou de Idiomas Modernos, pois no primeiro caso a gramática é uma ferramenta para redigir correctamente, e no segundo caso, esses estudantes vão ser expertos em questões linguísticas e precisam ter um conhecimento mais profundo das regras idiomáticas.

5) Dialectos e registos linguísticos como referência. Muitos livros de gramática espanhola são escritos por espanhóis, em consequência, muitos exemplos são construções que na Espanha são naturais, mas que na América são alheios. Além disso, um professor de idiomas sempre duvida se é mais apropriado ensinar uma gramática normativa ou descritiva (os usos «afastados da norma culta» que sempre aparecem na imprensa e na rua). Tal decisão vai depender dos objectivos do curso e das necessidades comunicativas dos estudantes.

 

Estes cinco pontos demonstram a complexidade do ensino da morfossintaxe do espanhol. Esperamos que com a Nova gramática da língua espanhola recentemente publicada pela Real Academia Espanhola tenhamos critérios sólidos para a unificação da terminologia e classificação das palavras e estruturas do idioma, tenhamos disponibilidade suficiente de exemplares, possamos esclarecer com maior facilidade as dúvidas dos nossos estudantes e haja exemplos aplicáveis à nossa realidade linguística.

 

***

 

(Español)

 

LAS DIFICULTADES EN LA ENSEÑANZA DE LA MORFOSINTAXIS DEL ESPAÑOL

 

Ricardo Tavares L.

 

Desde octubre de 2008 doy clases de Morfosintaxis del Español en la escuela de Comunicación Social de la Universidad Católica Andrés Bello. En este primer año (tres semestres consecutivos) me confronté con cinco dificultades pedagógicas que reflejan la complejidad de la enseñanza de esta parte del idioma:

1) «Hay tantas gramáticas como gramáticos». Esta frase de Erasmo de Rotterdam en la obra El elogio de la locura (1511) es una realidad en nuestros días. Cada gramático o lingüista establece sus criterios de clasificación y terminología. Por tanto, el profesor de Morfosintaxis tiene en sus manos la gran labor de leer muchos libros e intentar adoptar reglas de consenso, con la finalidad de que el profesor y sus alumnos puedan hablar «en el mismo lenguaje».

2) 2 + 2 no siempre da 4. Los estudiantes exigen verdades absolutas, pero como la lengua es imperfecta (una palabra puede tener diferentes categorías morfológicas o funciones sintácticas), el profesor presenta una palabra como respuesta: «depende», y eso genera en ellos mucha incomodidad. Esta imperfección contribuye a la dificultad de diseñar exámenes por parte del profesor, pues debe lograr que las respuestas sean indiscutibles. Para alcanzarlo es necesario buscar muchas y muchas oraciones con gran paciencia, siempre pensando en la capacidad de los estudiantes.

3) Pocos libros y muy caros. Es bastante frecuente que los profesores de Morfosintaxis hagan guías de estudio que los estudiantes deben reproducir, pues además de las razones explicadas en el primer punto, los libros de gramática son escasos para la gran población estudiantil, y los mejores son muy costosos. Una alternativa es que los alumnos consulten los libros en la biblioteca, pero el límite de ejemplares de un libro acaba por ser desestimulante para los estudiantes.

4) Enseñanza de gramática en diferentes facultades y carreras. El nivel y la finalidad de la enseñanza de la gramática cambian según la clase de profesional. No es igual la enseñanza de la gramática para un estudiante de periodismo que para un estudiante de Letras o de Idiomas Modernos, pues en el primer caso la gramática es una herramienta para redactar correctamente, y en el segundo caso, esos estudiantes van a ser expertos en cuestiones lingüísticas y requieren tener un conocimiento más profundo de las reglas idiomáticas.

5) Dialectos y registros lingüísticos como referencia. Muchos libros de gramática española son escritos por españoles, en consecuencia, muchos ejemplos son construcciones que en España son naturales, pero que en América son ajenos. Asimismo, un profesor de idiomas siempre duda si es más apropiado enseñar una gramática normativa o descriptiva (los usos «apartados de la norma culta» que siempre aparecen en la prensa y en la calle). Tal decisión va a depender de los objetivos del curso y de las necesidades comunicativas de los estudiantes.

 

Estos cinco puntos demuestran la complejidad de la enseñanza de la morfosintaxis del español. Esperamos que con la Nueva gramática de la lengua española recientemente publicada por la Real Academia Española tengamos criterios sólidos para la unificación de la terminología y clasificación de las palabras y estructuras del idioma, tengamos disponibilidad suficiente de ejemplares, podamos aclarar con mayor facilidad las dudas de nuestros estudiantes y haya ejemplos aplicables a nuestra realidad lingüística.

publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 04:40
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03 Novembro 2009

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

 

O passado de Colombo antes das viagens de descobrimento da América é um mistério. Durante anos a origem genovesa do navegador não foi questionada, mas o facto de não usar o italiano nos seus documentos, mas o castelhano, gerou muitas dúvidas.

 

Desde há poucos anos começou uma pesquisa interdisciplinar que visava esclarecer as origens de Colombo, o que incluía estudar o ADN dos ossos do navegador guardados na catedral de Sevilha. Colombo foi português, francês, catalão, judeu...? Cá só falarei dos resultados de três investigações recentes, as quais afirmam que Colombo tinha como língua materna o catalão e o castelhano era a sua segunda língua. Isto foi possível comprová-lo porque os erros do castelhano nas suas cartas têm fortíssima influência do catalão.

 

Estelle Irizarry, professora emérita da Universidade de Georgetown, Washington, estudou os escritos de Colombo. Achou o uso duma vírgula (/) para assinalar pausas, e isto era um uso quase exclusivo na Catalunha e ilhas Baleares. Além disso, Irizarry acredita que Colombo foi judeu, pois aparecem também aspectos linguísticos do ladino, um dialecto falado pelos judeus na Espanha medieval.

 

O engenheiro linguístico Lluís de Yzaguirre i Maura, especialista em técnicas de tradução, estudou 39.000 palavras usadas por Colombo nos seus documentos. Conclui que a sua língua materna foi o catalão oriental (Barcelona-Girona).

 

Gabriel Roura, especialista em escrita medieval, fez análises grafológicas da caligrafia de Colombo. Também concluiu que o estilo é propriamente catalão, e que o seu autor tinha uma alta educação.

 

Embora seja ainda incerto o lugar exacto onde nasceu Colombo e qual foi a sua linhagem, pelo menos sabe-se que tinha por língua materna o catalão, que o castelhano foi sua segunda língua e que provavelmente tenha sido um judeu muito educado. Ficaremos à espera dos resultados dos outros estudos para acabar por esclarecer o passado duma das personagens mais importantes da história no mundo ocidental.

 

 ***

 

(Español)

 

CRISTÓBAL COLÓN HABLABA CATALÁN Y ERA JUDÍO. EVIDENCIAS LINGÜÍSTICAS

 

Ricardo Tavares L.

 

El pasado de Colón antes de los viajes de descubrimiento de América es un misterio. Durante años el origen genovés del navegante no fue cuestionado, pero el hecho de no usar el italiano en sus documentos, sino el castellano, generó muchas dudas.

 

Desde hace pocos años comenzó una investigación interdisciplinaria que procuraba aclarar los orígenes de Colón, lo que incluía estudiar el ADN de los huesos del navegante guardados en la catedral de Sevilla. ¿Colón fue portugués, francés, catalán, judío...? Aquí sólo hablaré de los resultados de tres trabajos recientes, los cuales afirman que Colón tenía como lengua materna el catalán y el castellano era su segunda lengua. Esto fue posible comprobarlo porque los errores del castellano en sus cartas tienen fortísima influencia del catalán.

 

Estelle Irizarry, profesora emérita de la Universidad de Georgetown, Washington, estudió los escritos de Colón. Encontró el uso de una vírgula (/) para señalar pausas, y esto era un uso casi exclusivo en Cataluña e islas Baleares. Asimismo, Irizarry cree que Colón fue judío, pues aparecen también aspectos lingüísticos del ladino, un dialecto hablado por los judíos en la España medieval.

 

El ingeniero lingüístico Lluís de Yzaguirre i Maura, especialista en técnicas de traducción, estudió 39.000 palabras usadas por Colón en sus documentos. Concluye que su lengua materna fue el catalán oriental (Barcelona-Girona).

 

Gabriel Roura, especialista en escritura medieval, hizo análisis grafológicos de la caligrafía de Colón. También concluyó que el estilo es propiamente catalán, y que su autor tenía una alta educación.

 

Aunque sea todavía incierto el lugar exacto donde nació Colón y cuál fue su linaje, al menos se sabe que tenía por lengua materna el catalán, que el español fue su segunda lengua y que probablemente haya sido un judío muy educado. Seguiremos esperando los resultados de los otros estudios para terminar de aclarar el pasado de uno de los personajes más importantes de la historia en el mundo occidental.

 

 


 

Fontes:

 

Antonio Las Heras (2006). La trama de Colón. Las claves de la verdadera historia del Gran Almirante y el descubrimiento del Nuevo Mundo. Madrid: Nowtilus.

 

Fiona Giovan (14/10/2009). "Christopher Columbus writings prove he was Spanish, claims study". Telegraph. http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/spain/6326698/Christopher-Columbus-writings-prove-he-was-Spanish-claims-study.html.

publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 00:53
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05 Outubro 2009

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

 

 

Fala-se muito da perda duma língua estrangeira por falta de prática. Mas é possível perder a língua materna? Sei que isto pode acontecer não só em crianças, mas em adultos bilingues que tiveram que adoptar uma nova língua e deixar de falar na sua língua nativa. Também sabe-se que os «meninos selvagens», aqueles que ficaram isolados do contacto humano desde muito pequenos, são incapazes de falar quando chegam à idade adulta, e em consequência é quase impossível a aprendizagem.

E pode acontecer uma perda das faculdades linguísticas num adulto em cativeiro, ainda que ele tenha educação formal prévia? Não tenho uma resposta certa, mas parece que alguns homens que tiveram a triste experiência do sequestro sentiram essa possibilidade. Falarei de dois casos muito conhecidos: os colombianos Ingrid Betancourt e Oscar Tulio Lizcano, políticos sequestrados pelas FARC.


Ingrid Betancourt esteve cativa durante seis anos absolutamente isolada de tudo nas florestas colombianas. Numa das cartas que escreveu aos familiares conta o seguinte: «Há 3 anos estou a pedir um dicionário enciclopédico para ler algo, aprender algo, manter a curiosidade intelectual viva. Sigo a espera de que pelo menos por compaixão me forneçam um, mas é melhor não pensar nisso». Nestas palavras ela sente que a falta de prática da destreza da leitura poderia provocar uma perda de certa capacidade intelectual.

Oscar Tulio Lizcano esteve quase oito anos sequestrado. Apresenta um testemunho mais terrível. Além de ficar isolado dos companheiros, Liszcano disse que os soldados tinham proibição de falar com ele. Então, para não perder essa destreza, e como um exercício mental, ele lhe pôs nomes às árvores e deu-lhes aulas!

Estes dois casos fazem reflectir a sério sobre a possibilidade de perder faculdades linguísticas por total falta de comunicação Merece ser estudado.

 

 

***

 

(Español)

 

¿UN ADULTO PUEDE PERDER SU LENGUA MATERNA?

 

Ricardo Tavares L.

 

Se habla mucho de la pérdida de una lengua extranjera por falta de práctica. ¿Pero es posible perder la lengua materna? Sé que esto puede ocurrir no sólo en niños, sino en adultos bilingües que tuvieron que adoptar una nueva lengua y dejar de hablar en su lengua nativa. También se sabe que los «niños salvajes», aquellos que quedaron aislados del contacto humano desde muy pequeños, son incapaces de hablar cuando llegan a la edad adulta, y en consecuencia es casi imposible el aprendizaje.

 

¿Y puede ocurrir una pérdida de las facultades lingüísticas en un adulto en cautiverio, aunque él tenga educación formal previa? No tengo una respuesta clara, pero parece que algunos hombres que tuvieron la triste experiencia del secuestro sintieron esa posibilidad. Hablaré de dos casos muy conocidos: los colombianos Ingrid Betancourt y Oscar Tulio Lizcano, políticos secuestrados por las FARC.

 

Ingrid Betancourt estuvo cautiva durante seis años absolutamente aislada de todo en las selvas colombianas. En una de las cartas que escribió a los familiares cuenta lo siguiente: «Hace 3 años estoy pidiendo un diccionario enciclopédico para leer algo, aprender algo, mantener la curiosidad intelectual viva. Sigo esperando que al menos por compasión me faciliten uno, pero es mejor no pensar en eso». En estas palabras ella siente que la falta de práctica de la destreza de la lectura podría provocar una pérdida de cierta capacidad intelectual.

 

Oscar Tulio Lizcano estuvo casi ocho años secuestrado. Presenta un testimonio más terrible. Además de quedar aislado de los compañeros, Liszcano dijo que los soldados tenían prohibición de hablar con él. Entonces, para no perder esa destreza, y como un ejercicio mental, él le puso nombres a los árboles ¡y les dio clases!

 

Estos dos casos hacen reflexionar seriamente sobre la posibilidad de perder facultades lingüísticas por total falta de comunicación. Merece ser estudiado.

publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 05:06
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08 Setembro 2009

Ricardo Tavares L.

 

 

Van Gaal entró a los camerinos al final del partido muy disgustado. La derrota frente al Real Madrid de cinco goles por cero en el Camp Nou es sinceramente un bochorno. Luego de la rueda de prensa y de llegar al hotel, el entrenador holandés llamó a todos sus jugadores para discutir el juego.

—Hola a todos —saludó el entrenador con suma dificultad.

Los jugadores entendieron muy bien la frase y cada uno devolvió el saludo en su propia lengua:

—Hej —dijo Patrik Andersson.

—Hoe gaat het met jou? —dijeron al unísono Kluivert, Cocu, Overmars, Reiziger y De Boer.

—Bonsoir —dijo Christanval.

—Hola, pibe! —dijo Saviola de forma confianzuda. Riquelme y Bonano se quedaron callados.

—Olá, professor —dijeron Rochemback y Geovanni.

—Hola —dijeron el resto de los españoles.

Van Gaal se sentó, y empezó a decir todo en un pésimo español:

—Este juego fue una...

—¡Mierda! —gritó Luis Enrique desde el fondo.

—Ia, ni io lo pude decir mejor. ¿Ustedes reconocen haber cometido errores en el campo?

Todos asintieron.

—Ia. Ahora quiero que cada uno me indique con sus propias palabras cómo corregir nuestros fallos. La zaga, totalmente desaparecida; el ataque, nulo, y los medios, dormidos. ¡Hablen!

Aunque el lector no lo quiera creer, los jugadores son bastante refraneros, y cada uno dijo el suyo. El problema —para nosotros— es que cada uno se sabía sus refranes en sus propias lenguas. Observe la sabiduría futbolística:

—Nuestro fallo —intervino Overmars— es que regalamos muchos balones a los del Madrid. Y es como decimos en nederlands: «Wie goed doet, goet ontmoet»[1].

—Ia, ia —asintió toda la mini Naranja Mecánica, incluyendo el entrenador.

—Io creo —comenzó Patrick Andersson— que tuvimos mucha individualidad y poco trabajo en equipo. Como decimos en svenska: «Många bäckar små, blir en stor å»[2].

—Ia, muy bien. Tú. —apuntando a Christanval.

—Oi, je estoy de acuerdó con el suecó. En France decimos: «Les petits ruisseaux font les grandes rivères»[3]. Et otra cosá: uno cree que por tener le chamisse du Barceloná tiene el jeux ganadó. Así que también digo: «L' habit en jait pas le moine»[4].

—Perfecto. A ver, tú. —señalando a Rochemback.

—Bom, gente. Eu penso que se nós houvessemos atacado de mais, eu garanto que a vitória seria nossa. Nós no Brasil dizemos: «Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura»[5]. Que estaria dizendo o grande Rivaldo?

—¡Rivaldo es historia, ia! No vivamos del pasado. Tú —señalando a Luis Enrique.

—Pues hombre, ¿qué le puedo decir? Vamos, que no aprovechamos nada las pocas oportunidades que tuvimos. Simplemente «Más vale tener pájaro en mano que ciento volando».

—Yo tengo algo de decir: —interviene Riquelme— ¡Che, la jugada más macanuda del partido y el hijo 'e puta de Rochemback la bota!

—Vai pra' porra, cara! Você fez um péssimo passe da bola. Isso nem sequer o Ronaldo poderia fazer.

—Callate, che, que ese pibe nos marcó dos goles.

—¡Callen todos! —gritó Van Gaal furioso. Voy a concluir esta reunión con un refrán que escuché decir de Stoichkov, para que les dé más furia: «КОЙТО НЕ РАБОТИ, НЕ ТРЯБВА ДА ЯДЕ»[6]. Así que tenemos mañana a primera hora entrenamiento intensivo.

Todos los jugadores dieron el grito en el cielo con un montón de groserías que no vale la pena referir aquí. Por cierto, en la reunión estuvo Joan Gaspar, presidente del Club catalán, quien le pregunta al entrenador con un tono sarcástico:

—¿Com facen vostès per entendre-se sense interprets? ¡És astorador!

—Pues, ¿qué puedo hacer? Es una costumbre ia en todos los equipos españoles. Podríamos decir palabras claves o inventar una lengua franca, pero si no aprenden a jugar ¿cómo pretende que aprendan a hablar?

 

 

17/11/2002



[1] Quien mucho da, mucho recibe.

[2] Un grano no hace granero, pero ayuda al compañero.

[3] Riachuelos pequeños hacen ríos grandes.

[4] El hábito no hace al monje.

[5] Tanto da el agua a la piedra, que la quiebra.

[6] Trabaja y no comerás paja.

 


 

(Português)

 

Situações como esta acontecem cada vez com maior frequência, sobretudo na Europa, onde joga a grande parte dos melhores futebolistas dos cinco continentes. Agora não é novidade que um jogador de origem muito humilde, com uma escolaridade elementar, possa falar até quatro línguas com fluidez. Imaginemos, por exemplo, a Ronaldinho Gaúcho, quem além do português fala espanhol (jogou no F.C. Barcelona) e está a aprender a falar italiano (joga no A.C. Milão). No entanto, algumas vezes os limites linguísticos condicionam que um futebolista ou até um treinador jogue num clube estrangeiro. O caso mais interessante é Michael Laudrup, dinamarquês, quem teve problemas de comunicação na Rússia com os jogadores do Spartak de Moscovo; como consequência, rejeitou ofertas para treinar na Alemanha ou na Holanda justamente por não conhecer as línguas desses países. Também é revelador um choque linguístico que teve Samuel Eto'o no F.C. Barcelona, cuja directiva  promove o uso do catalão. Numa ocasião, Eto'o pediu a uma jornalista que repetisse uma pergunta em espanhol, porque ele não a compreendeu em catalão. Isto gerou muito incomodo no clube e Eto'o teve que disculpar-se depois.

 

Acho que mais perto do que longe, a FIFA terá que estabelecer alguma política linguística para que os futebolistas possam desenrascar-se sem dificuldades nos clubes onde joguem.

 

***

 

(Español)

 

Situaciones como esta ocurren cada vez con mayor frecuencia, sobre todo en Europa, donde juega gran parte de los mejores futbolistas de los cinco continentes. Ahora no es novedad que un jugador de origen muy humilde, com una escolaridad elemental, pueda hablar hasta cuatro lenguas con fluidez. Imaginemos, por ejemplo, a Ronaldinho Gaúcho, quien además del portugués habla español (jugó en F.C. Barcelona) y está aprendiendo a hablar italiano (juega en A.C. Milán). Sin embargo, algunas veces los límites lingüísticos condicionan que un futbolista o incluso un entrenador juegue en un club extranjero. El caso más interesante es Michael Laudrup, danés, quien tuvo problemas de comunicación en Rusia con los jugadores del Spartak de Moscú; como consecuencia, rechazó ofertas para entrenar en Alemania o en Holanda justamente por no conocer las lenguas de esos países. También es revelador un choque lingüístico que tuvo Samuel Eto'o en F.C. Barcelona, cuya directiva  promueve el uso del catalán. En una ocasión, Eto'o pidió a una periodista que repitiese una pregunta en español, porque él no la comprendió en catalán. Esto generó mucha incomodidad en el club y Eto'o tuvo que disculparse después.

 

Creo que más cerca que lejos, la FIFA tendrá que establecer alguna política lingüística para que los futbolistas puedan desenvolverse sin dificultades en los clubes donde jueguen.

publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 15:29

01 Agosto 2009

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

 

 

Artigo 50.º
1. Todas as comunidades linguísticas têm direito a uma presença predominante da sua língua na publicidade, na rotulagem, na sinalização exterior e na imagem do país em geral.


2. No território da comunidade linguística, todos têm o direito de obter na sua língua uma informação completa, tanto oral como escrita, sobre os produtos e serviços
propostos pelos estabelecimentos comerciais do território, como por exemplo, as instruções de utilização, os rótulos, as listas de ingredientes, a publicidade, as garantias e outros.


3. Todas as indicações públicas relativas à segurança dos cidadãos devem ser expressas na língua própria da comunidade linguística e em condições não inferiores às de qualquer outra língua.

 

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS LINGUÍSTICOS

 

Caro leitor: alguma vez chegou a ouvir sobre polícias da língua? É absurdo, mas existem! Em alguns países ou territórios onde se falam duas ou mais línguas procura-se que sejam utilizadas com equidade, e para isso são elaboradas legislações que garantem esse uso. Mas as políticas linguísticas noutros locais podem impor o uso duma das línguas em prejuízo da outra. Nesses casos, cria-se uma polícia da língua, que visa assegurar que as normas de uso linguísticas num território sejam cumpridas, sob pena de multa. Um exemplo disto é a Catalunha, Espanha.


 

A política linguística visa impor o catalão não só na educação, administração pública e saúde, mas também nos rótulos das lojas comerciais. O uso do espanhol passou a ser um crime, como também era um crime o ensino do catalão na ditadura de Franco.

 

Segundo um artigo de imprensa publicado por Europa Press, entre os anos 2003 e 2005 a Generalitat fez 143 sanções por não rotular em catalão, o que representa o total de 169.550 euros em multas. O artigo detalha a quantidade de dinheiro que uma pessoa deve pagar pelas seguintes faltas: «por uma factura de caixa em castelhano impõe-se multas de 1.800 euros; por rótulos de horários impõem-se até 3.000 euros de multa; por um cartaz de "Saída de Emergência" só em castelhano pagam-se 900 euros de multa; por cartazes de preços 600 euros; pelos de "Não é permitido fumar" pagam-se 1.200 euros de multa se não estiver também em catalão, igual que pelos relativos a direitos do usuário».

 

 

Esta política linguística é uma violação à Declaração Universal dos Direitos Linguísticos. Não pode ser que num país multilíngue como a Espanha seja permitido este flagelo. Vai contra não só dos catalães bilíngues, mas também dos espanhóis que não falam catalão e dos emigrantes que trabalham na Catalunha.

 

O bilinguismo deve ser o alvo dos esforços, pois permite maiores vínculos de comunicação e transmissão da cultura. O contrário favorece o isolacionismo.

 

***

 

(Español)

 

LOS POLICÍAS DE LA LENGUA


Ricardo Tavares L.

 

Artículo 50

 

1. Toda comunidad lingüística tiene derecho a una presencia predominante de su lengua en la publicidad, la rotulación, la señalización exterior y en el conjunto de la imagen del país.

 

2. En el territorio de la propia comunidad lingüística, todo el mundo tiene derecho a obtener en su lengua una información completa, tanto oral como escrita, sobre los productos y servicios que proponen los establecimientos comerciales del territorio, como por ejemplo las instrucciones de uso, las etiquetas, los listados de ingredientes, la publicidad, las garantías y otros.

 

3. Todas las indicaciones públicas referentes a la seguridad de los ciudadanos deben ser expresadas al menos en la lengua propia de la comunidad lingüística y en condiciones no inferiores a las de cualquier otra lengua.

 

DECLARACIÓN UNIVERSAL DE DERECHOS LINGÜÍSTICOS

 

Estimado lector: ¿alguna vez llegó a oír sobre policías de la lengua? Es absurdo, ¡pero existen! En algunos países o territorios donde se hablan dos o más lenguas se procura que sean utilizadas con equidad, y para eso son elaboradas legislaciones que garantizan ese uso. Pero las políticas lingüísticas en otros lugares pueden imponer el uso de una de las lenguas en perjuicio de la otra. En esos casos, se crea una policía de la lengua, que busca asegurar que las normas de uso lingüísticas en un territorio sean cumplidas, so pena de multa. Un ejemplo de esto es Cataluña, España.

 

La política lingüística busca imponer el catalán no sólo en la educación, administración pública y salud, sino también en los rótulos de los locales comerciales. El uso del español pasó a ser un crimen, como también era un crimen la enseñanza del catalán en la dictadura de Franco.

 

Según un artículo de prensa publicado por Europa Press, entre los años 2003 y 2005 la Generalitat aplicó 143 sanciones por no rotular en catalán, lo que representa el total de 169.550 euros en multas. El artículo detalla la cantidad de dinero que una persona debe pagar por las siguientes faltas: «por un tíquet de caja en castellano se imponen multas de 1.800 euros; por pólizas o rótulos de horarios se imponen hasta 3.000 euros de multa; por un cartel de "Salida de Emergencia" sólo en castellano se pagan 900 euros de multa; por carteles de precios 600 euros; por los de "No permitido fumar" se pagan 1.200 euros de multa si no están también en catalán, igual que por los relativos a derechos del usuario».

 

Esta política lingüística es una violación a la Declaración Universal de Derechos Lingüísticos. No puede ser que en un país multilingüe como España sea permitido este flagelo. Va contra no sólo de los catalanes bilingües, sino también de los españoles que no hablan catalán y de los emigrantes que trabajan en Cataluña.

 

El bilingüismo debe ser el blanco de los esfuerzos, pues permite mayores vínculos de comunicación y transmisión de la cultura. Lo contrario favorece el aislacionismo.

 

 

 

 


"Me niego a que me multen por rotular en la lengua oficial del Estado"

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publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 17:24

26 Junho 2009

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

 

 

Trecho do Codex Sinaitucus, onde aparece a cita bíblica I Cor 13, 1. Está em grego e foi escrito na metade do século IV d.C.

 

 

 

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,

se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine

(Primeira epístola do apóstolo são Paulo aos coríntios, capítulo 13, versículo 1).

 

Esta passagem bíblica do apóstolo são Paulo é, mais do que uma sentença favorita, um lema de vida que eu adoptei como linguista (de facto, é também lema do blog). Achamos muitas vezes que com grandes prodígios intelectuais e até espirituais podemos atingir o céu, mas com essa mentalidade temos o grande risco de cair na vaidade e no egoísmo.

 

Para compreender a grande magnitude do amor perante outros dons, vou explicar as implicações de cada frase deste interessante versículo.

 

Ainda que eu fale as línguas dos homens...

 

Há pessoas no mundo que não sabem escrever na sua própria língua materna, quer por serem analfabetas, quer por falar uma língua ágrafa. E até existem pessoas que nunca aprenderam falar nada, como os meninos selvagens (crianças totalmente isoladas do contacto humano), e que já como adultos têm grandes dificuldades para comunicar-se com a gente. Conhecer só uma língua estrangeira (como o inglês, francês, alemão ou espanhol) traz grandes vantagens laborais no mundo actual. Se alguém pode falar seis línguas, já é considerado pela sociedade como um grande erudito. Imaginemos agora o recorde do italiano Giuseppe Gasparo Mezzofanti (1774-1849): ele é reconhecido na história da linguística como o maior poliglota de sempre. Falou com fluidez 38 línguas, mais 30 com pouca fluidez e 50 dialectos dessas línguas, e sem sair da Itália!

Mas quantas línguas existem na actualidade no mundo inteiro? Segundo o catálogo de Ethnologue, estão registadas 6.912 línguas conhecidas (muitas delas quase desaparecidas). O Mezzofanti não chegou nem ao 1% disso, por tanto, é mesmo um grande milagre saber expressar-se com perfeição numa quantidade semelhante de idiomas.

 

Ainda que eu fale as línguas dos anjos...

 

Como são as línguas dos anjos? O papa Bento XVI (quando ainda era cardeal) disse numa entrevista que a linguagem de Deus é silenciosa. Será que as línguas dos anjos também são assim? São desses idiomas que só podem ser compreendidos no coração e não no cérebro? Se já conhecer todas as línguas dos homens é titânico e quase impossível, conhecer as angelicais ultrapassa os limites concebidos pelo homem. A pessoa que seja capaz disto estará com certeza numa cercania espiritual com a divindade que poucos têm o privilégio de atingir.

 

Se não tenho amor...

 

A oração condicional apresentada pelo apóstolo são Paulo é contundente. Ainda que falemos as 6.912 línguas dos homens, e as dos anjos, que nem sequer temos certeza de como são, se não houver amor, só seremos seres barulhentos. Saber tantos idiomas é certamente um grande valor neste mundo globalizado, pois garante a comunicação com muitos seres humanos e permite, em consequência, partilhar sentimentos, conhecimentos e perspectivas do universo. Mas é o nosso dever não cair na soberba ou na hipocrisia só por ter esse grande dom. Com o amor chega-se ao céu.

 

***

 

(Español)

 

LENGUAS Y AMOR: UNA LECCIÓN DE HUMILDAD

 

Ricardo Tavares L.

 

Aunque hablara todas las lenguas de los hombres y de los ángeles,

si me falta amor, sería como bronce que resuena o campana que retiñe.

(Primera carta del apóstol san Pablo a los corintios, capítulo 13, versículo 1).

 

Este pasaje bíblico del apóstol san Pablo es, más que una sentencia favorita, un lema de vida que yo adopté como lingüista (de hecho, es también lema del blog). Pensamos muchas veces que con grandes prodigios intelectuales e incluso espirituales podemos alcanzar el cielo, pero con esa mentalidad tenemos el gran riesgo de caer en la vanidad y en el egoísmo.

Para comprender la gran magnitud del amor ante otros dones, voy a explicar las implicaciones de cada frase de este interesante versículo.

 

Aunque hablara todas las lenguas de los hombres...

 

Hay personas en el mundo que no saben escribir en su propra lengua materna, bien por ser analfabetas, bien por hablar una lengua ágrafa. Y también existen personas que nunca aprendieron a hablar nada, como los niños salvajes (infantes totalmente  aislados del contacto humano), y que ya como adultos tienen grandes dificultades para comunicarse con la gente. Conocer sólo una lengua extranjera (como el inglés, francés, alemán o español) trae grandes ventajas laborales en el mundo actual. Si alguien puede hablar seis lenguas, ya es considerado por la sociedad como un gran erudito. Imaginemos ahora el récord del italiano Giuseppe Gasparo Mezzofanti (1774-1849): él es reconocido en la historia de la lingüística como el mayor políglota de todos los tiempos. Habló con fluidez 38 lenguas, 30 más con poca fluidez y 50 dialectos de esas lenguas, ¡y sin salir de Italia!

¿Pero cuántas lenguas existen en la actualidad en el mundo entero? Según el catálogo de Ethnologue, están registradas 6.912 lenguas conocidas (muchas del ellas casi desaparecidas). Mezzofanti no llegó ni al 1% de eso; por tanto, es verdaderamente un gran milagro saber expresarse con perfección en una cantidad semejante de idiomas.

 

Aunque hablara las lenguas de los ángeles...

 

¿Cómo son las lenguas de los ángeles? El papa Benedicto XVI (cuando todavía era cardenal) dijo en una entrevista que el lenguaje de Dios es silencioso. ¿Será que las lenguas de los ángeles también son así? ¿Son de esos idiomas que sólo pueden ser comprendidos en el corazón y no en el cerebro? Si ya conocer todas las lenguas de los hombres es titánico y casi imposible, conocer las angelicales ultrapasa los límites concebidos por el hombre. La persona que sea capaz de esto estará con seguridad en una cercanía espiritual con la divinidad que pocos tienen el privilegio de alcanzar.


Si no tengo amor...

 

La oración condicional presentada por el apóstol san Pablo es contundente. Aunque hablemos las 6.912 lenguas de los hombres, y las de los ángeles, que ni siquiera tenemos certeza de cómo son, si no hay amor, sólo seremos seres ruidosos. Saber tantos idiomas es ciertamente un gran valor en este mundo globalizado, pues garantiza la comunicación con muchos seres humanos y permite, en consecuencia, compartir sentimientos, conocimentos y perspectivas del universo. Pero es nuestro deber no caer en la soberbia o en la hipocresía sólo por tener ese gran don. Con el amor se llega al cielo.

publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 22:38

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