«Si linguis hominum loquar et angelorum, caritatem autem non habeam, factus sum velut aes sonans aut cymbalum tinniens» (I Cor: 13, 1)
01 de Janeiro de 2012

 

 (Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

O ano de 2011 será lembrado pelos revisores do mundo hispânico como a primeira vez que decidiram reunir-se e declarar o seu trabalho como uma profissão e linha de pesquisa. Associações da Espanha (Unico), Argentina (Fundación Litterae/Casa del Corrector), México (Peac) e Peru (Ascot) foram os principais motores do Primeiro Congresso Internacional de Revisão de Textos em Língua Espanhola, que foi realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires em Setembro passado. Esse marco histórico gerou um impacto de tal magnitude que teve a participação de mais de 400 pessoas de vários países do continente para pôr-se em dia no trabalho e conhecer-se. Eu tive o orgulho de representar a Venezuela com a apresentação da minha palestra: «Estratégias e soluções em revisão de textos no campo editorial: dois estudos de caso», uma pesquisa que foi bem recebida na audiência, especialmente porque mostra o processo de compreensão de leitura e as decisões que tiveram de escolher dois revisores quando corrigiam alguns ensaios escritos.

 

O congresso abordou vários temas, incluindo os critérios para orçamentar um serviço, condições de trabalho, o que precisa saber um revisor, seus limites e os problemas especiais que defronta quando corrige livros, revistas, jornais ou qualquer outro documento em diferentes formatos. A partir das discussões em mesas redondas e palestras apresentadas, os organizadores propuseram-se estabelecer consensos, particularmente uma definição do revisor: «[...] um profissional da edição e da linguagem cujo objetivo é que o leitor receba com claridade e sem erros a mensagem do autor, independentemente do suporte». Esta definição baseia-se no direito que tem o leitor de exigir: «[...] textos legíveis e sem erros, de modo que cada texto deve ser submetido ao controle de qualidade antes da sua publicação. Este labor só pode ser realizado por um revisor profissional, uma vez que tem sido demonstrado que este trabalho não pode ser executado por um programa de correção» (Comunicado final). Além disso, surgiu a necessidade de estabelecer parcerias internacionais, pelo que as associações organizadoras, mais a colombiana Correcta, assinaram o Acordo de Buenos Aires, que estipula: 1) oferecer ajuda mútua em todos os aspectos que beneficiam aos revisores; 2) divulgar atividades e iniciativas de cada associação, 3) promover a figura profissional de revisão em espanhol, 4) incentivar o desenvolvimento associativo entre profissionais afins de outros países, e 5) estabelecer relações com outras associações e instituições que compartilham os objetivos dos signatários do presente Acordo. A segunda edição será celebrada em Guadalajara, México, em 2012, e espera-se que mais associações participem desta cruzada.

 

Em suma, este congresso é a pedra angular para promover a profissionalização dos revisores no mundo hispânico. É hora de que todos os autores e editores percebam que a qualidade dos seus produtos depende do cuidado da língua e das estruturas discursivas que seus textos demandam. É hora de que quem decidir aventurar-se nesta profissão assuma que o trabalho não se limita a colocar só vírgulas e acentos, mas garantir que as palavras do autor cheguem da melhor maneira possível ao leitor, o que os obriga a formar-se a sério. É hora de que as universidades e os homens e mulheres de ciência estimulem a pesquisa sobre a correção. É hora de colocar a nossa casa em ordem.

 


 Link de interesse: http://www.congresocorrectores.org/


***

(Español)

 

EL HITO DE LA CORRECCIÓN HISPANA EN EL 2011: SU PRIMER CONGRESO INTERNACIONAL

 

Ricardo Tavares L.

 

El año 2011 será recordado por los correctores de textos del mundo hispano por ser la primera vez que decidieron congregarse y declarar al unísono su oficio como una profesión y línea de investigación. Las asociaciones de España (Unico), Argentina (Fundación Litterae/Casa del Corrector), México (Peac) y Perú (Ascot) fueron las impulsoras del Primer Congreso Internacional de Correctores de Textos en Lengua Española, que se celebró en la Facultad de Derecho de la Universidad de Buenos Aires el pasado mes de septiembre. Este hito causó un impacto de una magnitud tal que asistieron más de 400 personas de muchos países del continente para ponerse al día sobre el oficio y conocerse. Yo tuve el orgullo de representar a Venezuela con la presentación de mi ponencia «Estrategias y soluciones en la corrección de textos en el campo editorial: dos estudios de caso», una investigación que tuvo una gran acogida en la audiencia, sobre todo porque muestra el proceso de comprensión lectora y la toma de decisiones que dos correctores debieron adoptar cuando revisaron algunos escritos ensayísticos.

 

En el congreso se abordaron diferentes temas, entre ellos los criterios para presupuestar un servicio, condiciones laborales, lo que debe saber un corrector, sus límites y los problemas característicos que confronta al corregir libros, revistas, periódicos o cualquier otro documento en diferentes soportes. A partir de los debates en mesas redondas y ponencias presentadas, los organizadores se propusieron establecer consensos, en especial una definición del corrector: «[…] un profesional de la edición y del lenguaje cuyo objetivo es que el lector reciba con claridad y sin errores el mensaje del autor independientemente del soporte». Dicha definición se sustenta en el derecho que tiene el lector de «[…] exigir textos legibles y sin errores, por lo que  es necesario que todo texto sea sometido a un control de calidad previo a su difusión. Esta labor solo puede llevarla a cabo un profesional de la corrección, dado que se ha demostrado que este trabajo no lo puede desempeñar un programa de corrección» (Comunicado final). Asimismo, surgió la necesidad de establecer alianzas internacionales, por lo que las asociaciones organizadoras, más la de Colombia (Correcta), suscribieron el Acuerdo de Buenos Aires, que estipula: 1) prestarse ayuda mutua en todos los aspectos que beneficien a los correctores; 2) difundir actividades e iniciativas de cada asociación; 3) promover la figura del profesional de la corrección de textos en español; 4) estimular el desarrollo asociativo entre profesionales afines de otros países, y 5) establecer relaciones con otras asociaciones e instituciones que compartan los objetivos de los firmantes de este Acuerdo. La segunda edición se celebrará en Guadalajara, México, en 2012, y se espera que más asociaciones se unan a esta cruzada.

 

En definitiva, este congreso es la piedra fundacional que impulsará la profesionalización de los correctores en el orbe hispano. Es hora de que todos los autores y editores entiendan que la calidad de sus productos depende del cuidado del idioma y de las estructuras discursivas que sus textos demanden. Es hora de que quienes decidan incursionar en esta profesión asuman que el trabajo no se limita solo a poner comas y acentos, sino en asegurar que las palabras del autor lleguen de la mejor manera posible al lector, lo que los obliga a formarse seriamente. Es hora de que las universidades y los hombres y mujeres de ciencia estimulen la investigación sobre la corrección. Es hora de poner orden en la casa.

 


Link de interés: http://www.congresocorrectores.org/

publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 04:22
10 de Outubro de 2011

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

No passado mês de Setembro estive pela primeira vez em Buenos Aires, a capital dum grande país Sul-Americano, Argentina. Uma cidade que certamente é um cantinho da Europa na nossa multicultural América Latina e que está cheia de livrarias, teatros e cafés. Assisti ao Primeiro Congresso Internacional de Revisores de Textos em Língua Espanhola, uma excelente oportunidade para refletir não só sobre o nosso trabalho, mas também no idioma que partilhamos mais de vinte países.

 

Embora nós falamos espanhol, ouvi e li uma enorme quantidade de palavras que por momentos me faziam sentir mesmo estrangeiro: valija (mala), frutilla (morango), maracuyá (maracujá) tirar (puxar), laburar (trabalhar), picaña (picanha), bife (bife), lasaña (lasanha), auto (carro)... Tais vocábulos são um testemunho das influências do Brasil, Itália, Espanha, da língua indígena guarani e também do lunfardo, um jargão falado em Buenos Aires. O sotaque rio-platense lembra o jeito de falar dos italianos que emigraram à Argentina há mais de cem anos, e uma das suas características é o voseamento, muito presente até na publicidade, e a pronúncia do "ll" e do "y" /∫/. Essa mistura toda define a fala argentina.

 

O meu sotaque venezuelano, como me aconteceu no ano passado no México, não foi fácil de identificar pelos argentinos e mesmo por outros colegas da América. Um perguntou-me se eu era da Colômbia, outro se eu era do Peru. Só um senhor numa loja em Galerias Pacífico acertou, e foi porque eu disse “chévere” durante a conversa. Até no Congresso uma assistente disse-me que a minha palestra esteve “chévere”. Acho que é a palavra mais conhecida da Venezuela pelo mundo fora, embora seja também muito utilizada na Colômbia.

 

Fiquei impressionado com a quantidade de turistas brasileiros em Buenos Aires. São tantos que muitos moradores têm facilidade de falar português, ou pelo menos portunhol. Aliás, se os portenhos acham que uma pessoa é turista, falam-lhe em português! De fato, muitos brasileiros nem se importavam muito por falar espanhol, até eu na Casa Rosada (o palácio presidencial argentino) tive que falar em português com uma moça que me perguntou onde peguei um postal que lá forneciam aos visitantes e como reservar para fazer a visita guiada. Isto demonstra a gigante irmandade de dois grandes países que só são inimigos no futebol.

 

A riqueza do idioma não tem fronteiras, e cada país revela a sua história e realidade cultural quando fala. Nada fica oculto.

 

***

 

(Español)

 

PALABRAS DE TODAS PARTES CON ACENTO ITALIANIZADO: MI VISITA A BUENOS AIRES, ARGENTINA

 

Ricardo Tavares L.

 

El pasado mes de septiembre estuve por primera vez en Buenos Aires, la capital de un gran país suramericano, Argentina. Una ciudad que ciertamente es un rinconcito de Europa en nuestra multicultural América Latina y que está llena de librerías, teatros y cafés. Asistí al Primer Congreso Internacional de Correctores de Textos en Lengua Española, una excelente oportunidad para reflexionar no solo sobre nuestro trabajo, sino también en el idioma que compartimos más de veinte países.

 

Aunque nosotros hablamos español, oí y leí una enorme cantidad de palabras que por momentos me hacían sentir de verdad como un extranjero: valija (maleta), frutilla (fresa), maracuyá (parchita), tirar (halar), laburar (trabajar), picaña (punta trasera), bife (bistec), lasaña (pasticho), auto (carro)... Tales vocablos son un testimonio de las influencias de Brasil, Italia, España, de la lengua indígena guaraní y también del lunfardo, una jerga hablada en Buenos Aires. El acento rioplatense recuerda la manera de hablar de los italianos que emigraron a la Argentina hace más de cien años, y una de sus características es el voseo, muy presente incluso en la publicidad, y la pronunciación de la "ll" y de la "y" /∫/. Toda esa mezcla define el habla argentina.

 

Mi acento venezolano, como me pasó el año pasado en México, no fue fácil de identificar por los argentinos e incluso por otros colegas de América. Uno me preguntó si yo era de Colombia, otro si yo era del Perú. Solo un señor en una tienda en Galerías Pacífico acertó, y fue porque yo dije “chévere” durante la conversación. Hasta en el Congreso una asistente me dijo que mi ponencia estuvo “chévere”. Creo que es la palabra más conocida de Venezuela internacionalmente, a pesar de que sea también muy utilizada en Colombia.

 

Quedé impresionado con la cantidad de turistas brasileños en Buenos Aires. Son tantos que muchos moradores tienen facilidad para hablar portugués, o por lo menos portuñol. Es más, si los porteños encuentran que una persona es turista, ¡le hablan en portugués! De hecho, muchos brasileños ni se esforzaban mucho por hablar español, incluso yo en la Casa Rosada (el palacio presidencial argentino) tuve que hablar en portugués con una muchacha que me preguntó dónde obtuve una postal que allá repartían a los visitantes y cómo reservar para hacer la visita guiada. Esto demuestra la gigante hermandad de dos grandes países que solo son enemigos en el fútbol.

 

La riqueza del idioma no tiene fronteras, y cada país revela su historia y realidad cultural cuando habla. Nada queda oculto.

publicado por Ricardo Tavares Lourenço às 18:11
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