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(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

Panamá tem um encanto: a sua gente. É de tal magnitude que no dicionário deveria aparecer uma fotografia duma bela morena sorridente para ilustrar a palavra «cordial». Este nobre povo assumiu a língua espanhola como elemento de identidade e coesão numa geografia que propiciou o passo de muita gente de todos os cantos do planeta, primeiro com Vasco Núñez de Balboa em 1513, e logo após com os Estados Unidos no século XX, a nação que construiu o canal que tem tornado o Panamá na ponte do mundo.

 

Neste contexto compareci no VI Congresso Internacional da Língua Espanhola, que foi celebrado no Centro de Convenções Atlapa. Académicos, escritores, editores, revisores e linguistas hispanos, além de 1.200 professores panamianos, discutimos durante quatro dias as dimensões comunicativas que oferece a língua espanhola na atualidade através dum instrumento cultural chave: o livro.

 

Poder estar ao perto de escritores e académicos da grandeza de Mario Vargas Llosa, Sergio Ramírez (provavelmente o mais elogiado pelo seu contundente discurso), Juan David Morgan, o príncipe de Astúrias D. Felipe de Borbón, Víctor García de la Concha, José Manuel Blecua, Ignacio Bosque, Humberto López Morales, Belisario Betancur, Antonio Skármeta e tantos mais simplesmente não tem comparação. O seu amor para um idioma que une a 500 milhões de pessoas lhes faz mostrar uma paixão que os torna notáveis e excelentes. Tiro o chapéu para todos eles.

 

Definitivamente, a transição do livro de papel ao livro electrónico tem-se tornado no debate do momento. Foram avaliadas as vantagens e desvantagens do livro electrónico, e embora mantem-se certa incerteza e medo à mudança, é evidente que essa mudança está a desenvolver-se e já está a provocar novos hábitos de leitura e processamento de informação que já estão a ser considerados até por neurocientistas.

 

O livro electrónico obriga, como já aconteceu na indústria da música e do cinema, a mudar o modelo de negócio, e todos os atores envolvidos na cadeia editorial terão de adaptar-se a esta nova realidade. Cada vez o livro em papel é mais custoso na sua produção e armazenamento, além de que a sua distribuição é limitada. Como alguém comentou no congresso: «Os autores viajam mais do que os seus livros». É assim que o livro electrónico vai permitir que um autor venezuelano possa ser lido no Paraguai, por exemplo, e que a «bibliodiversidade» possa ser cada vez patente.

 

Aliás, graças às tecnologias de informação e comunicação, a literatura também está a transformar-se, pelo que os professores terão de reformular o seu plano de ensino e incluir novos géneros emergentes, como por exemplo a «twitteratura», neologismo cunhado pelo académico venezuelano Luis Barrera Linares.

 

A educação tem sido também tema de discussão neste congresso. O Ministério da Educação de Panamá (Meduca) foi a instituição do Governo panamiano que encarregou-se da organização, e mobilizou desde todos os cantos do istmo a centenas de professores de Espanhol. A ministra Lucy Molinar enfatizou que os nossos estudantes não querem ser receptores, mas produtores; em tal sentido, se quisermos que sejam bons leitores, é nosso dever incentivar neles o desejo de contar a suas histórias. Acredito que para os professores panamianos este congresso foi muito revelador.

 

A par de tudo isto, suscitou-se uma luta se se quer calada, mas firme. Os revisores de texto de vários países de fala hispana ficamos muito incomodados ao não ser considerado o nosso papel na cadeia do livro. As associações da Espanha, Peru, Equador e Uruguai redigiram um comunicado onde se chama a atenção sobre tão séria omissão. Embora os organizadores não expressaram formalmente resposta nenhuma, pelo menos ficou registada a importância deste profissional graças à palestra que apresentou a nossa grande amiga e extraordinária revisora Alicia Zorrilla. Ela estimulou nos demais painelistas um debate muito interessante sobre a conveniência de contar com revisores qualificados no mundo editorial. Ficou patente que o revisor não está em extinção, nem sequer no livro electrónico, contexto no qual o valor do trabalho está colocado sobre a mesa.

 

Volto ao meu país com muitas histórias e palavras para contar aos meus estudantes e a minha gente. Volto ao meu país com um espírito de luta renovado. Volto ao meu país para seguir cultivando o bom uso duma língua global: o espanhol.

 

 

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(Español)

 

PANAMÁ, PUENTE DEL MUNDO Y DE LA LENGUA. MI EXPERIENCIA EN EL VI CILE 2013

 

Ricardo Tavares L.

 

Panamá tiene un encanto: su gente. Tan es así que en el diccionario debería aparecer una fotografía de una bella morena sonriente para ilustrar la palabra «cordial». Este noble pueblo asumió la lengua española como elemento de identidad y cohesión en una geografía que propició el paso de muchas gentes de todos los rincones del planeta, primero con Vasco Núñez de Balboa en 1513, y luego con Estados Unidos en el siglo XX, la nación que construyó el canal que ha convertido a Panamá en el puente del mundo.

 

Con este marco asistí al VI Congreso Internacional de la Lengua Española, que se celebró en el Centro de Convenciones Atlapa. Académicos, escritores, editores, correctores y lingüistas hispanos, más 1.200 maestros panameños, discutimos durante cuatro días las dimensiones comunicativas que ofrece la lengua española en el mundo de hoy a través de un instrumento cultural clave: el libro.

 

Poder ver de cerca a escritores y académicos de la talla de Mario Vargas Llosa, Sergio Ramírez (quizá el más aplaudido por su contundente discurso), Juan David Morgan, el príncipe de Asturias don Felipe de Borbón, Víctor García de la Concha, José Manuel Blecua, Ignacio Bosque, Humberto López Morales, Belisario Betancur, Antonio Skármeta y tantos más simplemente no tiene comparación. Su amor hacia un idioma que une a 500 millones de personas les hace mostrar una pasión que los convierte en notables y excelentes. Me quito el sombrero ante todos ellos.

 

Definitivamente, la transición del libro de papel al libro electrónico se ha convertido en el debate del momento. Se sopesaron las ventajas y desventajas del libro electrónico, y si bien prevalece cierta incertidumbre y miedo al cambio, es evidente que ese cambio está en curso y ya está provocando nuevos hábitos de lectura y procesamiento de información que ya están siendo considerados incluso por neurocientíficos.

 

El libro electrónico obliga, como ya ocurrió en la industria de la música y del cine, a cambiar el modelo de negocio, y todos los actores involucrados en la cadena editorial tendrán que adaptarse a esta nueva realidad. Cada vez el libro en papel es más costoso en su producción y almacenamiento, además de que su distribución es limitada. Como alguien comentó en el congreso: «Los autores viajan más que sus libros». En tal sentido, el libro electrónico permitirá que un autor venezolano pueda ser leído en Paraguay, por ejemplo, y que la «bibliodiversidad» pueda ser cada vez patente.

 

Además de ello, gracias a las tecnologías de información y comunicación, la literatura también se está transformando, por lo que los profesores tendrán que reformular su enseñanza e incluir nuevos géneros emergentes, como por ejemplo la «twitteratura», neologismo acuñado por el académico venezolano Luis Barrera Linares.

 

La educación ha sido también tema de discusión en este congreso. El Ministerio de Educación de Panamá (Meduca) fue la institución del Gobierno panameño que se encargó de la organización, y movilizó desde todos los rincones del istmo a cientos de maestros de Español. La ministra Lucy Molinar hizo hincapié en que nuestros estudiantes no quieren ser receptores, sino productores; en tal sentido, si queremos que sean buenos lectores, es nuestro deber incentivar en ellos el deseo de contar sus historias. Creo que para los maestros panameños este congreso debió ser muy revelador.

 

A la par de todo esto, se suscitó una lucha si se quiere callada, pero firme. Los correctores de texto de varios países de habla hispana quedamos muy incomodados al no ser considerado nuestro papel en la cadena del libro. Las asociaciones de España, Perú, Ecuador y Uruguay redactaron un comunicado en el que se llama la atención sobre tan seria omisión. Si bien los organizadores no expresaron formalmente ninguna respuesta, al menos quedó registrada la importancia de este profesional gracias a la ponencia que presentó nuestra gran amiga y extraordinaria correctora Alicia Zorrilla. Ella estimuló en los demás panelistas un debate muy interesante sobre la conveniencia de contar con correctores calificados en el mundo editorial. Quedó patente que el corrector no está en extinción, ni siquiera en el libro electrónico, contexto en el que el valor del trabajo está sobre el tapete.

 

Regreso a mi país con muchas historias y palabras para contar a mis estudiantes y a mi gente. Regreso a mi país con un espíritu de lucha renovado. Regreso a mi país para seguir cultivando el buen uso de una lengua global: el español.

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publicado às 04:35

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

Inúmeras pessoas acham que a acentuação das letras maiúsculas é desnecessária e até antiestética. É verdade que muitos livros, mesmo os bem editados, não punham esses acentos, e por ser uma prática frequente a gente assumiu-a como uma regra. Isto é um mito.

 

No caso da língua espanhola só existem o acento agudo (´) e o trema (¨), e ambos os sinais ortográficos são de uso obrigatório nas letras maiúsculas, segundo a Real Academia Espanhola: África; AMÉRICA; BILINGÜE. O til (~) só existe na letra Ñ e tem-se verificado que alguns livros muito velhos não o tinham.

 

Na língua portuguesa usam-se o acento agudo (´), o acento grave (`), o acento circunflexo (^) e o til (~), mas, surpreendentemente, não existe uma regra expressa que obrigue o uso nas maiúsculas, sobretudo dos acentos; nem sequer no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa aprovado em 1990. Assim o expõe o livro Grandes dúvidas da língua portuguesa. Falar e escrever sem erros, de Elsa Rodrigues dos Santos e de D’ Silvas Filho (2011, pp. 105-106): «Há quem defenda que as palavras “todas escritas” em maiúsculas dispensam sinais ortográficos; mas não há regulamentação de suporte. Nas normas em vigor, nada se encontra quanto à obrigatoriedade de acentos neste caso, assim como também não se vê que os sinais ortográficos possam ser dispensados. É prática corrente considerar que as palavras “todas escritas em maiúsculas obedecem às regras dos sinais ortográficos a que estão sujeitas quando escritas em minúsculas».

 

A única razão de peso que justificou há muitas décadas a dispensa dos acentos nas letras maiúsculas tem a ver com a prensa. Quem melhor explica isto é Jorge del Buen, no seu livro Manual de diseño editorial [Manual de design editorial] (2008, pp.417-418): «A falta de acentos foi aceite durante os tempos da tipografia em metal. Naquela altura era comum que a oficina não tivera um jogo de versais acentuadas, e foi assim que o tipógrafo dispunha de três formas de resolver a dificuldade: a primeira, adicionar um traço sobre a vogal, o qual acabava sendo muito árduo nos corpos mais reduzidos; a segunda, substituir a versal por um versalete acentuado, e a terceira, render-se, dispensar os acentos. A segunda solução também não era simples, porque uma família tipográfica completa, com versaletes e tudo, era muito custosa; além disso, arriscava-se a misturar versaletes com versais na composição. Perante estas dificuldades, a Academia resolveu tolerar a falta de acentos, mas sublinhando que deveriam adicionar-se sempre que for possível. Prevaleceu, evidentemente, a lei do menor esforço, e os acentos das versais sumiram mesmo das boas oficinas. Logo, se acreditou que eles já não faziam falta; a final se chegou à estupidez, e há quem hoje segue afirmando candidamente que pôr acentos nas maiúsculas é uma falha de ortografia [tradução livre do autor]».

 

Como exemplo do acima dito, a continuação apresentamos dois casos tomados do Dicionário da Real Academia Espanhola editado em 1729, nos quais pode-se apreciar que as palavras ÁNGEL (anjo) e CIGÜEÑA (cegonha) estão escritas em maiúsculas e, no entanto, não possuem acentos nem trema, e a letra Ñ está em minúscula.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atualmente, graças aos computadores, a edição dos livros, revistas, jornais e outros documentos é digitalizada, e por isso já é possível utilizar todas as letras e os sinais ortográficos de qualquer língua do mundo. Por tal razão, não existe nenhuma justificação nem linguística nem tipográfica para a eliminação dos acentos nas maiúsculas em ambos os idiomas.

 

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(Español)

 

REGLAS, MITOS Y VERDADES DE LOS ACENTOS EN LAS MAYÚSCULAS EN PORTUGUÉS Y EN ESPAÑOL

 

Ricardo Tavares L.

 

Innumerables personas creen que la acentuación de las letras mayúsculas es innecesaria e incluso antiestética. Es verdad que muchos libros, aun los bien editados, no ponían esos acentos, y por ser una práctica frecuente la gente la asumió como una regla. Esto es um mito.

 

En el caso de la lengua española solo existen el acento agudo (´) y la diéresis (¨), y ambos signos ortográficos son de uso obligatorio en las letras mayúsculas, según la Real Academia Española: África; AMÉRICA; BILINGÜE. El tilde (~) solo existe en la letra Ñ y se ha verificado que algunos libros muy viejos no lo tenían.

 

En la lengua portuguesa se usan el acento agudo (´), el acento grave (`), el acento circunflejo (^) y el tilde (~), pero, sorprendentemente, no existe una regla expresa que obligue el uso en las mayúsculas, sobre todo de los acentos; ni siquiera en el Acuerdo Ortográfico de la Lengua Portuguesa aprobado en 1990. Así lo expone el libro Grandes dúvidas da língua portuguesa. Falar e escrever sem erros [Grandes dudas de la lengua portuguesa. Hablar y escribir sin errores], de Elsa Rodrigues dos Santos y de D’ Silvas Filho (2011, pp. 105-106): «Hay quien defienda que las palabras “todas escritas” en mayúsculas eximen los signos ortográficos; pero no hay reglamentación de soporte. En las normas vigentes, no se encuentra nada con respecto a la obligatoriedad de acentos en este caso, ni tampoco se ve que los signos ortográficos puedan ser omitidos. Es una práctica común considerar que las palabras “todas escritas” en mayúsculas obedecen a las reglas de los signos ortográficos a que están sujetas cuando están escritas en minúsculas [traducción libre del autor]».

 

La única razón de peso que justificó hace muchas décadas dispensar de los acentos en las letras mayúsculas está vinculada con la imprenta. Quien mejor explica esto es Jorge del Buen, en su libro Manual de diseño editorial (2008, pp.417-418): «La falta de tildes se admitió durante los tiempos de la tipografía en metal. Entonces era común que el taller no contara con un juego de versales acentuadas, así que el tipógrafo tenía tres formas de resolver la dificultad: la primera, colocar una virgulilla sobre la vocal, lo cual resultaba sumamente arduo en los cuerpos más reducidos; la segunda, sustituir la versal por una versalita acentuada, y la tercera, claudicar, dejar a un lado las tildes. La segunda solución tampoco era sencilla, ya que una póliza completa, con versalitas y todo, resultaba muy costosa; además, se corría el riesgo de empastelar la composición al mezclar versalitas con versales. Ante estas dificultades, la Academia resolvió tolerar la falta de tildes, advirtiendo de que deberían ponerse cuando fuera posible. Prevaleció, como era de suponerse, la ley del menor esfuerzo, y las tildes de las versales empezaron a desaparecer aun de los buenos talleres. Luego, se creyó que ya no hacían falta; finalmente se llegó a la estupidez, y hay quienes hoy siguen afirmando cándidamente que poner tildes en las mayúsculas es una falta de ortografía».

 

Como ejemplo de lo antes señalado, a continuación presentamos dos casos tomados del Diccionario de la Real Academia Española editado en 1729, en los cuales se puede apreciar que las palabras ÁNGEL y CIGÜEÑA están escritas en mayúsculas y, sin embargo, no poseen acentos ni diéresis, y la letra Ñ está en minúscula.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Actualmente, gracias a las computadoras, la edición de los libros, revistas, periódicos y otros documentos es digitalizada, y por eso ya es posible utilizar todas las letras y los signos ortográficos de cualquier lengua do mundo. Por tal razón, no existe ninguna justificación ni lingüística ni tipográfica para la eliminación de los acentos en las mayúsculas en ambos idiomas.

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publicado às 22:28

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

A União Europeia (UE) é formada por uma comunidade de 500 milhões de pessoas onde são faladas 23 línguas oficiais e mais de 60 línguas regionais e minoritárias; muito diferente da América Latina, onde é falado o espanhol por quase a mesma quantia de gente. Um dos objetivos da UE é facilitar a mobilização dos seus cidadãos, quer por migração, quer por trabalho, quer por estudos, quer por turismo; e para que essa mobilidade seja efetiva, tem sido necessário propor uma política linguística que permitisse esse aproveitamento das oportunidades educativas, profissionais e económicas que proporciona uma Europa unida. Nesse sentido, e visando manter a diversidade linguística e promover o conhecimento de línguas, a UE propôs como meta que os cidadãos europeus falem pelo menos duas línguas além da sua língua materna. É evidente que o inglês, francês, alemão, italiano e espanhol sejam as línguas mais procuradas pelos europeus justamente por serem as mais faladas na comunidade e pelo peso cultural e económico no mundo inteiro.

 

Mas para atingir essa meta foi preciso definir e estandardizar critérios de ensino, avaliação e acreditação dos idiomas. Em outras palavras, um sistema que permitisse conhecer com certeza o nível real de língua duma pessoa e que seja aceite em qualquer país da UE. Este projeto foi proposto em 1991 na Suíça e depois foi desenvolvido pelo Conselho da Europa, que recomendou formalmente em 2001 a adoção do Quadro Europeu Comum de Referência (QECR).

 

O QECR descreve o que os estudantes têm de aprender a fazer para poderem comunicar-se e define níveis de domínio da língua que permitem comprovar o progresso dos alunos em cada fase da aprendizagem e ao longo da sua vida. O QECR divide-se em seis níveis: A1, A2 (básico), B1, B2 (intermédio), C1, C2 (avançado). Estes níveis medem as competências linguísticas e comunicativas dos estudantes nas quatro destrezas: produção oral, compreensão auditiva, leitura e escrita. Quer dizer que um estudante, por exemplo, pode ter um nível de leitura C1, mas a sua compreensão auditiva está no nível B2.

 

Na atualidade, os principais cursos gerais de línguas estrangeiras estão desenvolvidos conforme o QECR. British Council, Alliance Française, Goethe Institut, Instituto Cervantes, Camões I.P., para mencionar os institutos de ensino de línguas europeias mais conhecidos, adotaram o QECR na estrutura das suas aulas, materiais, avaliações e certificações.

 

Na minha opinião, o QECR representa um grande esforço de política linguística de muito sucesso e que deveria ser replicado nas outras línguas não europeias, como por exemplo o chinês mandarim, o árabe e, por que não, as línguas indígenas. Oferece uns critérios sólidos que permitem saber a quantidade e qualidade de informação que uma pessoa pode produzir e receber numa língua estrangeira, e de fato já é referência para a contratação de trabalhadores e profissionais nas empresas e instituições públicas e privadas do mundo.

 

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(Español)

 

MARCO COMÚN EUROPEO DE REFERENCIA: LA ESTANDARIZACIÓN DE LA POLÍTICA LINGÜÍSTICA DE EUROPA

 

Ricardo Tavares L.

 

La Unión Europea (UE) está conformada por una comunidad de 500 millones de personas donde se hablan 23 lenguas oficiales y más de 60 lenguas regionales y minoritarias; muy diferente de América Latina, donde es hablado el español por casi la misma cantidad de gente. Uno de los objetivos de la UE es facilitar la movilización de sus ciudadanos, bien sea por migración, por trabajo, por estudios, por turismo; y para que esa movilidad sea efectiva, ha sido necesario proponer una política lingüística que permitiese ese aprovechamiento de las oportunidades educativas, profesionales y económicas que proporciona una Europa unida. En ese sentido, y con miras a mantener la diversidad lingüística y promover el conocimiento de lenguas, la UE se propuso como meta que los ciudadanos europeos hablen por lo menos dos lenguas además de su lengua materna. Es evidente que el inglés, francés, alemán, italiano y español sean las lenguas más demandadas por los europeos justamente por ser las más habladas en la comunidad y por el peso cultural y económico en el mundo entero.

 

Pero para lograr esa meta fue necesario definir y estandarizar criterios de enseñanza, evaluación y acreditación de los idiomas. En otras palabras, un sistema que permitiese conocer con exactitud el nivel real de lengua de una persona y que sea aceptado en cualquier país de la UE. Este proyecto fue propuesto en 1991 en Suiza y después fue desarrollado por el Consejo de Europa, que recomendó formalmente en 2001 la adopción del Marco Común Europeo de Referencia (MCER).

 

El MCER describe lo que deben aprender a hacer los estudiantes para poder comunicarse y define niveles de dominio de la lengua que permiten comprobar el progreso de los alumnos en cada fase de aprendizaje y a lo largo de su vida. El MCER se divide en seis niveles: A1, A2 (básico), B1, B2 (intermedio), C1, C2 (avanzado). Estos niveles miden las competencias lingüísticas y comunicativas de los estudiantes en las cuatro destrezas: producción oral, comprensión auditiva, lectura y escritura. Esto significa que un estudiante, por ejemplo, puede tener un nivel de lectura C1, pero su comprensión auditiva está en el nivel B2.

 

En la actualidad los principales cursos generales de lenguas extranjeras están desarrollados según el MCER. British Council, Alliance Française, Goethe Institut, Instituto Cervantes, Camões I.P., por mencionar los institutos de enseñanza de lenguas europeas más conocidos, adoptaron el MCER en la estructura de sus clases, materiales, evaluaciones y certificaciones.

 

En mi opinión, el MCER representa un gran esfuerzo de política lingüística exitoso y que debería ser replicado en las otras lenguas no europeas, como por ejemplo el chino mandarín, el árabe y, ¿por qué no?, las lenguas indígenas. Ofrece unos criterios sólidos que permiten saber la cantidad y calidad de información que una persona puede producir y recibir en una lengua extranjera, y de hecho ya es referencia para la contratación de trabajadores y profesionales en las empresas e instituciones públicas y privadas del mundo.

 


 

Referências:

 

Comisión Europea (2013). Las lenguas de Europa. Sitio web en línea: http://ec.europa.eu/languages/languages-of-europe/index_es.htm. Fecha de consulta: 22 de febrero de 2013.
Concejo de Europa (2002). Marco común europeo de referencia para las lenguas: aprendizaje, enseñanza, evaluación. Madrid:  Instituto Cervantes; Ministerio de Educación, Cultura y Deporte;  Anaya.
What is CEFR? 

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publicado às 23:01

Erros comuns dum revisor principiante

por Ricardo Tavares Lourenço, em 08.03.13

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

No passado mês de Novembro estive presente no Segundo Congresso Internacional de Revisores de Textos em Espanhol, na cidade de Guadalajara, México, evento que fez parte da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, uma das importantes e fascinantes do mundo não só pelo tamanho, mas também pela organização e diversidade de atividades. Foi uma grande ocasião para o reencontro com bons amigos, conhecer mais outros de toda a parte, comprar livros e gozar da hospitalidade mexicana, onde sinto-me como em casa.

 

Logo após de apresentar a minha palestra, intitulada Revisão de textos: disciplina da linguística aplicada, duas raparigas fizeram-me uma pergunta em privado muito interessante: quais são os erros que os jovens revisores cometem? Naquele momento respondi para elas grosso modo, mas agora quero dar uma resposta mais pormenorizada e que sei pode ser de grande utilidade para os novos profissionais.

 

Segundo a minha experiência, mais o que já tenho pesquisado, posso dizer que eles cometem as seguintes falhas:

 

1) Ler muito rápido para acabar imediatamente. Alguns acham que um bom revisor é aquele que faz rápido o seu trabalho, que pode corrigir 100 páginas num dia e assim conseguir que o seu chefe fique muito contente. Isto é um grande perigo, porque o revisor precisa observar não só detalhes tão pequenos como vírgulas, pontos e acentos, mas também o sentido do texto, a coerência, etc. Por tanto, ler a essa velocidade é arriscar-se a deixar erros por corrigir. A leitura dum revisor profissional é muito mais pausada em comparação com a dum leitor comum, com constantes releituras e fixações. Isto está demonstrado numa pesquisa em francês titulada L'œil du correcteur enregistré par eyetracking [O olho do revisor gravado por eyetracking], que pode ser visualizada no seguinte endereço no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=TSeTLb9MMyQ. Isto deve ser entendido pelos autores e editores, que às vezes pressionam sem base.

 

2) Corrigir quando não é preciso. Há duas manifestações desta falta. A primeira é que os revisores principiantes tem horror vacui quando corrigem, ou seja, sentem-se inquietos quando verificam que uma página dum livro não tem um único erro, então ficam descansados se mudam pelo menos uma vírgula e desta maneira "justificam" o seu trabalho perante o cliente. A segunda é que alguns revisores são tão perfecionistas que não gostam do texto e acabam por reescrever quase tudo. Há que lembrar, como bem diz Alicia Zorrilla, revisora argentina de grande trajetória, que o revisor não é coautor e que o seu papel é aperfeiçoar o texto. Além disso, ela acrescenta no seu livro Normativa lingüística española y corrección de textos [Normativa linguística espanhola e revisão de textos] que o revisor deve seguir mais quatro princípios: i) não mexer no texto original se a sua redação é tão correta que não o precisa, ii) não justificar vãmente o seu trabalho com substituições lexicais ou sintácticas inadequadas ou desnecessárias, iii) sempre consultará o autor e respeitará a sua opinião se se tratar de questões discutíveis, e iv) o revisor deverá fundamentar cada uma das suas emendas de caráter linguístico (2009, pp. 117-118).

 

3) Ajustar-se só à ortografia e gramática normativa. A maioria dos revisores são graduados em Letras, Jornalismo, Tradução e demais carreiras afins, e boa parte da sua formação linguística é de enfoque normativo. Relacionado com a falha acima descrita, alguns revisores não gostam de certas variações linguísticas que não são propriamente erros, sobretudo nos casos dialetais ou socioletais. A revisão deve garantir, acima de tudo, a clareza da mensagem e considerar o contexto discursivo onde está enquadrado o texto.

 

4) Consertar todos os detalhes duma publicação de uma só vez. Esta falha está relacionada com a primeira, a velocidade. A melhor estratégia é rever separadamente as diferentes partes da publicação: paginação, cabeçalhos, hierarquia de títulos, cortes de palavras, unificação, rodapés e demais. Tentar corrigir tudo de uma só vez pode ter como consequencia deixar de fora algum erro que pode obscurecer a qualidade da obra.

 

É importante que os cursos de capacitação de revisores advirtam sobre estas falhas, para garantir uma ótima atuação no trabalho e educar os demais atores da indústria editorial.

 

***

 

(Español)

 

ERRORES COMUNES DE UN CORRECTOR PRINCIPIANTE

 

Ricardo Tavares L.

 

El pasado mes de noviembre estuve presente en el Segundo Congreso Internacional de Correctores de Textos en Español, en la ciudad de Guadalajara, México, evento que formó parte de la Feria Internacional del Libro de Guadalajara, una de las importantes y fascinantes del mundo no solo por el tamaño, sino también por la organización y diversidad de actividades. Fue una gran ocasión para el reencuentro con buenos amigos, conocer otros más de todas partes, comprar libros y gozar de la hospitalidad mexicana, donde me siento como en casa.

 

Justo después de presentar mi ponencia, titulada Corrección de textos: disciplina de la lingüística aplicada, dos muchachas me formularon una pregunta en privado muy interesante: ¿cuáles son los errores que los jóvenes correctores cometen? En aquel momento les respondí grosso modo, pero ahora quiero brindar una respuesta más detallada y que sé puede ser de gran utilidad para los nuevos profesionales.


Según mi experiencia, además de lo que ya he investigado, puedo decir que ellos cometen las siguientes faltas:

 

1) Leer muy rápido para terminar inmediatamente. Algunos creen que un buen corrector es aquel que hace rápido su trabajo, que puede corregir 100 páginas en un día y así lograr que su jefe quede muy contento. Esto es un gran peligro, porque el corrector requiere observar no solo detalles tan pequeños como comas, puntos y acentos, sino también el sentido del texto, la coherencia, etc. Por tanto, leer a esa velocidad es arriesgarse a dejar errores sin corregir. La lectura de un corrector profesional es mucho más pausada en comparación con la de un lector común, con constantes relecturas y fijaciones. Esto está demostrado en una investigación en francés titulada L'œil du correcteur enregistré par eyetracking [El ojo del corrector grabado por eyetracking], que puede ser vista en la siguiente dirección en YouTubehttp://www.youtube.com/watch?v=TSeTLb9MMyQ. Esto debe ser entendido por los autores y editores, que a veces presionan sin base.

 

2) Corregir cuando no es necesario. Hay dos manifestaciones de esta falta. La primera es que los correctores principiantes tienen horror vacui cuando corrigen, o sea, se sienten intranquilos cuando verifican que una página de un libro no tiene ni un solo error, entonces se quedan aliviados si cambian por lo menos una coma y de esta manera "justifican" su trabajo ante el cliente. La segunda es que algunos correctores son tan perfeccionistas que no les gusta el texto y terminan por reescribir casi todo. Hay que recordar, como bien dice Alicia Zorrilla, correctora argentina de gran trayectoria, que el corrector no es coautor y que su papel es perfeccionar el texto. Además de eso, ella añade en su libro Normativa lingüística española y corrección de textos que el corrector debe seguir cuatro principios más: i) no tocar el texto original si su redacción es tan correcta que no lo necesita, ii) no justificar vanamente su trabajo con sustituciones léxicas o sintácticas inadecuadas o innecesarias, iii) siempre consultará al autor y respetará su opinión si se trata de cuestiones discutibles, y iv) el corrector deberá fundamentar cada una de sus enmiendas de carácter lingüístico (2009, pp. 117-118).

 

3) Ajustarse solo a la ortografía y gramática normativa. Mayormente los correctores son graduados en Letras, Periodismo, Traducción y demás carreras afines, y buena parte de su formación lingüística es de enfoque normativo. Relacionado con la falta antes descrita, a algunos correctores no les gustan ciertas variaciones lingüísticas que no son propiamente errores, sobre todo en los casos dialectales o sociolectales. La corrección debe garantizar, ante todo, la claridad del mensaje y considerar el contexto discursivo donde está enmarcado el texto.

 

4) Arreglar todos los detalles de una publicación a la vez. Esta falta va relacionada con la primera, la velocidad. La mejor estrategia es revisar por separado las diferentes partes de la publicación: paginación, encabezados, jerarquía de títulos, cortes de palabras, unificación, pies de página y demás. Tratar de corregir todo a la vez puede llevar como consecuencia dejar por fuera algún error que puede oscurecer la calidad de la obra.

 

Es importante que los cursos de capacitación de correctores adviertan estas faltas, para garantizar una óptima actuación en el trabajo y educar a los demás actores de la industria editorial.

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publicado às 21:22

Definição de «espanglish» segundo a Real Academia Espanhola

por Ricardo Tavares Lourenço, em 25.06.12

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

No mês de Junho de 2012 a Real Academia Espanhola (RAE), instituição que rege o uso da língua espanhola no mundo hispânico, divulgou no seu portal as novas palavras que vão ser adicionadas no seu Dicionário, cuja versão impressa será publicada em 2014. Uma delas é espanglish, neologismo procedente do inglês spanglish (mistura das palavras Spanish e English). Eis a definição:

 

espanglish.

(Del ingl. Spanglish, fusión de Spanish 'español' y English 'inglés').

1. m. Modalidad del habla de algunos grupos hispanos de los Estados Unidos, en la que se mezclan, deformándolos, elementos léxicos y gramaticales del español y del inglés.

 

[Modalidade de fala de alguns grupos hispânicos dos Estados Unidos da América, na que misturam-se, deformando-os, elementos léxicos e gramaticais do espanhol e do inglês.]

 

Na minha opinião, acho que a definição proposta pela RAE está restringida a uma só realidade linguística. É verdade que os mexicanos, porto-riquenhos, cubanos, entre outros grupos latino-americanos que moram nos EUA, têm construído um socioleto; alguns até sugerem exageradamente que é uma nova língua, mas esta palavra é usada também para nomear com tom pejorativo a interlíngua dos aprendizes de língua inglesa ou espanhola. Lembro que uma vez no British Council um colega disse: «I've preocupations» e a professora, sorrindo, corrigiu-lhe: «"Worries"; "preocupations" is spanglish».

 

Existe também uma anedota sobre o espanglish: dois amigos hispânicos passeiam por Nova Iorque. Um fala inglês à perfeição, o outro mistura-o. Quando vão pela Quinta Avenida cai algo na cabeça ao primeiro e fica no chao. Um polícia pergunta-lhe em inglês ao acompanhante o que tinha acontecido e ele respondeu assim: «We veníamos caminando por esta avenue, cuando de pronto de ese building se desprendió una window y golpeó a mi amigo en la one houndred y todavía no ha vuelto en yes».

 

En síntese, proponho que, além da primeira definição, seja incluida esta outra: «interlíngua falada por aprendizes de língua inglesa e espanhola». Também sugeriria à RAE que inclua o vocábulo portunhol, por ter características semelhantes ao espanglish, já não nos EUA, mas na zona fronteiriça do Brasil, Argentina e Uruguai.

 

***

 

(Español)

 

DEFINICIÓN DE «ESPANGLISH» SEGÚN LA REAL ACADEMIA ESPAÑOLA

 

Ricardo Tavares L.

 

En el mes de junio de 2012 la Real Academia Española (RAE), institución que rige el uso de la lengua española en el mundo hispano, divulgó en su portal las nuevas palabras que serán añadidas en su Diccionario, cuya versión impresa será publicada en 2014. Una de ellas es espanglish, neologismo procedente del inglés spanglish (mezcla de las palabras Spanish y English). He aquí la definición:

 

espanglish.

(Del ingl. Spanglish, fusión de Spanish 'español' y English 'inglés').

1. m. Modalidad del habla de algunos grupos hispanos de los Estados Unidos, en la que se mezclan, deformándolos, elementos léxicos y gramaticales del español y del inglés.

 

En mi opinión, creo que la definición propuesta por la RAE está restringida a una sola realidad lingüística. Es verdad que los mexicanos, puertorriqueños, cubanos, entre otros grupos latinoamericanos que viven en los EE.UU., han construido un sociolecto; algunos incluso sugieren exageradamente que es una nueva lengua, pero esta palabra es usada también para nombrar con tono peyorativo la interlengua de los aprendices de lengua inglesa o española. Recuerdo que una vez en British Council un compañero dijo: «I've preocupations» y la profesora, sonriendo, lo corrigió: «"Worries"; "preocupations" is spanglish».

 

Existe también un chiste sobre el espanglish: dos amigos hispanos pasean por Nueva York. Uno habla inglés a la perfección, el otro lo mezcla. Cuando van por la Quinta Avenida cae algo en la cabeza al primero y queda en el suelo. Un policía le pregunta en inglés al acompañante lo que había ocurrido y él respondió así: «We veníamos caminando por esta avenue, cuando de pronto de ese building se desprendió una window y golpeó a mi amigo en la one houndred y todavía no ha vuelto en yes».

 

En síntesis, propongo que, además de la primera definición, sea incluida esta otra: «interlengua hablada por aprendices de lengua inglesa y española». También sugeriría a la RAE que incluya el vocablo portuñol, por tener características semejantes al espanglish, ya no en los EE.UU., sino en la zona fronteriza de Brasil, Argentina y Uruguay.

 

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publicado às 20:19

Sólidas destrezas na revisão e tradução

por Ricardo Tavares Lourenço, em 04.04.12

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

Aos revisores de estilo e aos tradutores lhes são exigidas importantes conhecimentos linguísticos e muita cultura geral, mas é pouco o advertido sobre a capacidade leitora que cada um deve dominar. É bem sabido que um erro na compreensão duma palavra ou expressão afetará notavelmente o desenvolvimento de ambos os profissionais: no primeiro, “corrigir” onde não há erro; no segundo, “traduzir” uma interpretação errada a outra língua.

 

A leitura de palavras arcaicas ou de uso pouco frequente no idioma é geralmente um problema. Um caso interessante é a palavra espanhola «inconcuso», que segundo o Dicionário da Real Academia Espanhola significa: «Firme, sem dúvida nem contradição». Se um revisor ou um tradutor pouco atentos acreditam que a palavra possui um erro e que deveria ser «inconcluso» (inacabado), mudaria radicalmente de significado e, por tanto, distorcer-se-á a mensagem. Apresentamos como exemplo este fragmento: «En medio de la cruel falta de datos históricos fehacientes de que se dispone para el estudio de los orígenes de la filosofía de Platón y Aristóteles, hay, sin embargo, un hecho inconcuso, a saber: que dicha filosofía está vinculada, en sus orígenes, a la obra de Sócrates (...)» [Em meio à falta cruel de dados históricos confiáveis disponíveis para o estudo das origens da filosofia de Platão e Aristóteles, há, no entanto, um fato incontestável, ou seja, que esta filosofia está ligada, em suas origens, ao trabalho de Sócrates] (Xavier Zubiri, Naturaleza, historia, Dios, 1932-1944). Se nesta citação trocamos «inconcuso» por «inconcluso», o resultado é que é um fato «inacabado» a vinculação da filosofia de Platão e Aristóteles com a de Sócrates. Grande erro!

 

Em resumo, a norma de todo revisor e tradutor é ser altamente cuidadoso na sua leitura. Nenhum dos dois pode confiar-se demais do seu conhecimento do mundo, o qual os obriga a pesquisar nos dicionários e enciclopédias cada vez que achem palavras ou frases aparentemente esquisitas. Ser conscientes disto evitará perder prestígio profissional e ganhar leitores zangados.


Este artigo foi publicado originalmente no blog El Heraldo del Traductor, como parte do trabalho "El nuevo perfil del traductor" http://victorgonzales.blogspot.com/2011/08/el-nuevo-perfil-de-traductor.html


 

***

(Español)

SÓLIDAS DESTREZAS LECTORAS EN LA CORRECCIÓN Y LA TRADUCCIÓN

 

Ricardo Tavares L.

 

Tanto a los correctores de estilo como a los traductores se les exigen importantes conocimientos lingüísticos y mucha cultura general; sin embargo, es poco lo que se advierte acerca de la capacidad lectora que cada uno debe dominar. Es bien sabido que un error en la comprensión de una palabra o expresión afectará notablemente el desempeño de ambos profesionales: en el primero, “corregir” donde no hay error; en el segundo, “traducir” una malainterpretación a otra lengua.


La lectura de palabras arcaicas o de uso poco frecuente en el idioma suele ser un problema. Un caso interesante es la palabra “inconcuso”, que según el DRAE significa: “Firme, sin duda ni contradicción”. Si tanto un corrector como un traductor poco atentos creen que la palabra posee un error y que debería ser “inconcluso”, se estará cambiando radicalmente de significado y, por tanto, se distorsionará el mensaje. Para muestra, este fragmento: “En medio de la cruel falta de datos históricos fehacientes de que se dispone para el estudio de los orígenes de la filosofía de Platón y Aristóteles, hay, sin embargo, un hecho inconcuso, a saber: que dicha filosofía está vinculada, en sus orígenes, a la obra de Sócrates (...)” (Xavier Zubiri, Naturaleza, historia, Dios, 1932-1944). Si en esta cita cambiamos “inconcuso” por “inconcluso”, va a resultar que es un hecho “inacabado” la vinculación de la filosofía de Platón y Aristóteles con la de Sócrates. ¡Grave error!


En síntesis, la norma de todo corrector y traductor es ser altamente cuidadoso en su lectura. Ninguno de los dos puede fiarse demasiado de su conocimiento del mundo, lo cual los obliga a investigar en los diccionarios y enciclopedias cada vez que se topen con palabras o frases aparentemente extrañas. Ser conscientes de esto evitará perder prestigio profesional y ganar lectores enfadados.


Este artículo fue publicado originalmente en el blog El Heraldo del Traductor, como parte del trabajo "El nuevo perfil del traductor" http://victorgonzales.blogspot.com/2011/08/el-nuevo-perfil-de-traductor.html

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publicado às 20:59

 

 (Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

O ano de 2011 será lembrado pelos revisores do mundo hispânico como a primeira vez que decidiram reunir-se e declarar o seu trabalho como uma profissão e linha de pesquisa. Associações da Espanha (Unico), Argentina (Fundación Litterae/Casa del Corrector), México (Peac) e Peru (Ascot) foram os principais motores do Primeiro Congresso Internacional de Revisão de Textos em Língua Espanhola, que foi realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires em Setembro passado. Esse marco histórico gerou um impacto de tal magnitude que teve a participação de mais de 400 pessoas de vários países do continente para pôr-se em dia no trabalho e conhecer-se. Eu tive o orgulho de representar a Venezuela com a apresentação da minha palestra: «Estratégias e soluções em revisão de textos no campo editorial: dois estudos de caso», uma pesquisa que foi bem recebida na audiência, especialmente porque mostra o processo de compreensão de leitura e as decisões que tiveram de escolher dois revisores quando corrigiam alguns ensaios escritos.

 

O congresso abordou vários temas, incluindo os critérios para orçamentar um serviço, condições de trabalho, o que precisa saber um revisor, seus limites e os problemas especiais que defronta quando corrige livros, revistas, jornais ou qualquer outro documento em diferentes formatos. A partir das discussões em mesas redondas e palestras apresentadas, os organizadores propuseram-se estabelecer consensos, particularmente uma definição do revisor: «[...] um profissional da edição e da linguagem cujo objetivo é que o leitor receba com claridade e sem erros a mensagem do autor, independentemente do suporte». Esta definição baseia-se no direito que tem o leitor de exigir: «[...] textos legíveis e sem erros, de modo que cada texto deve ser submetido ao controle de qualidade antes da sua publicação. Este labor só pode ser realizado por um revisor profissional, uma vez que tem sido demonstrado que este trabalho não pode ser executado por um programa de correção» (Comunicado final). Além disso, surgiu a necessidade de estabelecer parcerias internacionais, pelo que as associações organizadoras, mais a colombiana Correcta, assinaram o Acordo de Buenos Aires, que estipula: 1) oferecer ajuda mútua em todos os aspectos que beneficiam aos revisores; 2) divulgar atividades e iniciativas de cada associação, 3) promover a figura profissional de revisão em espanhol, 4) incentivar o desenvolvimento associativo entre profissionais afins de outros países, e 5) estabelecer relações com outras associações e instituições que compartilham os objetivos dos signatários do presente Acordo. A segunda edição será celebrada em Guadalajara, México, em 2012, e espera-se que mais associações participem desta cruzada.

 

Em suma, este congresso é a pedra angular para promover a profissionalização dos revisores no mundo hispânico. É hora de que todos os autores e editores percebam que a qualidade dos seus produtos depende do cuidado da língua e das estruturas discursivas que seus textos demandam. É hora de que quem decidir aventurar-se nesta profissão assuma que o trabalho não se limita a colocar só vírgulas e acentos, mas garantir que as palavras do autor cheguem da melhor maneira possível ao leitor, o que os obriga a formar-se a sério. É hora de que as universidades e os homens e mulheres de ciência estimulem a pesquisa sobre a correção. É hora de colocar a nossa casa em ordem.

 


 Link de interesse: http://www.congresocorrectores.org/


***

(Español)

 

EL HITO DE LA CORRECCIÓN HISPANA EN EL 2011: SU PRIMER CONGRESO INTERNACIONAL

 

Ricardo Tavares L.

 

El año 2011 será recordado por los correctores de textos del mundo hispano por ser la primera vez que decidieron congregarse y declarar al unísono su oficio como una profesión y línea de investigación. Las asociaciones de España (Unico), Argentina (Fundación Litterae/Casa del Corrector), México (Peac) y Perú (Ascot) fueron las impulsoras del Primer Congreso Internacional de Correctores de Textos en Lengua Española, que se celebró en la Facultad de Derecho de la Universidad de Buenos Aires el pasado mes de septiembre. Este hito causó un impacto de una magnitud tal que asistieron más de 400 personas de muchos países del continente para ponerse al día sobre el oficio y conocerse. Yo tuve el orgullo de representar a Venezuela con la presentación de mi ponencia «Estrategias y soluciones en la corrección de textos en el campo editorial: dos estudios de caso», una investigación que tuvo una gran acogida en la audiencia, sobre todo porque muestra el proceso de comprensión lectora y la toma de decisiones que dos correctores debieron adoptar cuando revisaron algunos escritos ensayísticos.

 

En el congreso se abordaron diferentes temas, entre ellos los criterios para presupuestar un servicio, condiciones laborales, lo que debe saber un corrector, sus límites y los problemas característicos que confronta al corregir libros, revistas, periódicos o cualquier otro documento en diferentes soportes. A partir de los debates en mesas redondas y ponencias presentadas, los organizadores se propusieron establecer consensos, en especial una definición del corrector: «[…] un profesional de la edición y del lenguaje cuyo objetivo es que el lector reciba con claridad y sin errores el mensaje del autor independientemente del soporte». Dicha definición se sustenta en el derecho que tiene el lector de «[…] exigir textos legibles y sin errores, por lo que  es necesario que todo texto sea sometido a un control de calidad previo a su difusión. Esta labor solo puede llevarla a cabo un profesional de la corrección, dado que se ha demostrado que este trabajo no lo puede desempeñar un programa de corrección» (Comunicado final). Asimismo, surgió la necesidad de establecer alianzas internacionales, por lo que las asociaciones organizadoras, más la de Colombia (Correcta), suscribieron el Acuerdo de Buenos Aires, que estipula: 1) prestarse ayuda mutua en todos los aspectos que beneficien a los correctores; 2) difundir actividades e iniciativas de cada asociación; 3) promover la figura del profesional de la corrección de textos en español; 4) estimular el desarrollo asociativo entre profesionales afines de otros países, y 5) establecer relaciones con otras asociaciones e instituciones que compartan los objetivos de los firmantes de este Acuerdo. La segunda edición se celebrará en Guadalajara, México, en 2012, y se espera que más asociaciones se unan a esta cruzada.

 

En definitiva, este congreso es la piedra fundacional que impulsará la profesionalización de los correctores en el orbe hispano. Es hora de que todos los autores y editores entiendan que la calidad de sus productos depende del cuidado del idioma y de las estructuras discursivas que sus textos demanden. Es hora de que quienes decidan incursionar en esta profesión asuman que el trabajo no se limita solo a poner comas y acentos, sino en asegurar que las palabras del autor lleguen de la mejor manera posible al lector, lo que los obliga a formarse seriamente. Es hora de que las universidades y los hombres y mujeres de ciencia estimulen la investigación sobre la corrección. Es hora de poner orden en la casa.

 


Link de interés: http://www.congresocorrectores.org/

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publicado às 04:22

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

No passado mês de Setembro estive pela primeira vez em Buenos Aires, a capital dum grande país Sul-Americano, Argentina. Uma cidade que certamente é um cantinho da Europa na nossa multicultural América Latina e que está cheia de livrarias, teatros e cafés. Compareci no Primeiro Congresso Internacional de Revisores de Textos em Língua Espanhola, uma excelente oportunidade para refletir não só sobre o nosso trabalho, mas também no idioma que partilhamos mais de vinte países.

 

Embora nós falamos espanhol, ouvi e li uma enorme quantidade de palavras que por momentos me faziam sentir mesmo estrangeiro: valija (mala), frutilla (morango), maracuyá (maracujá) tirar (puxar), laburar (trabalhar), picaña (picanha), bife (bife), lasaña (lasanha), auto (carro)... Tais vocábulos são um testemunho das influências do Brasil, Itália, Espanha, da língua indígena guarani e também do lunfardo, um jargão falado em Buenos Aires. O sotaque rio-platense lembra o jeito de falar dos italianos que emigraram à Argentina há mais de cem anos, e uma das suas características é o voseamento, muito presente até na publicidade, e a pronúncia do "ll" e do "y" /∫/. Essa mistura toda define a fala argentina.

 

O meu sotaque venezuelano, como me aconteceu no ano passado no México, não foi fácil de identificar pelos argentinos e mesmo por outros colegas da América. Um perguntou-me se eu era da Colômbia, outro se eu era do Peru. Só um senhor numa loja em Galerias Pacífico acertou, e foi porque eu disse “chévere” durante a conversa. Até no Congresso uma pessoa disse-me que a minha palestra esteve “chévere”. Acho que é a palavra mais conhecida da Venezuela pelo mundo fora, embora seja também muito utilizada na Colômbia.

 

Fiquei impressionado com a quantidade de turistas brasileiros em Buenos Aires. São tantos que muitos moradores têm facilidade de falar português, ou pelo menos portunhol. Aliás, se os portenhos acham que uma pessoa é turista, falam-lhe em português! De fato, muitos brasileiros nem se importavam muito por falar espanhol, até eu na Casa Rosada (o palácio presidencial argentino) tive que falar em português com uma moça que me perguntou onde peguei um postal que lá forneciam aos visitantes e como reservar para fazer a visita guiada. Isto demonstra a gigante irmandade de dois grandes países que só são inimigos no futebol.

 

A riqueza do idioma não tem fronteiras, e cada país revela a sua história e realidade cultural quando fala. Nada fica oculto.

 

***

 

(Español)

 

PALABRAS DE TODAS PARTES CON ACENTO ITALIANIZADO: MI VISITA A BUENOS AIRES, ARGENTINA

 

Ricardo Tavares L.

 

El pasado mes de septiembre estuve por primera vez en Buenos Aires, la capital de un gran país suramericano, Argentina. Una ciudad que ciertamente es un rinconcito de Europa en nuestra multicultural América Latina y que está llena de librerías, teatros y cafés. Asistí al Primer Congreso Internacional de Correctores de Textos en Lengua Española, una excelente oportunidad para reflexionar no solo sobre nuestro trabajo, sino también en el idioma que compartimos más de veinte países.

 

Aunque nosotros hablamos español, oí y leí una enorme cantidad de palabras que por momentos me hacían sentir de verdad como un extranjero: valija (maleta), frutilla (fresa), maracuyá (parchita), tirar (halar), laburar (trabajar), picaña (punta trasera), bife (bistec), lasaña (pasticho), auto (carro)... Tales vocablos son un testimonio de las influencias de Brasil, Italia, España, de la lengua indígena guaraní y también del lunfardo, una jerga hablada en Buenos Aires. El acento rioplatense recuerda la manera de hablar de los italianos que emigraron a la Argentina hace más de cien años, y una de sus características es el voseo, muy presente incluso en la publicidad, y la pronunciación de la "ll" y de la "y" /∫/. Toda esa mezcla define el habla argentina.

 

Mi acento venezolano, como me pasó el año pasado en México, no fue fácil de identificar por los argentinos e incluso por otros colegas de América. Uno me preguntó si yo era de Colombia, otro si yo era del Perú. Solo un señor en una tienda en Galerías Pacífico acertó, y fue porque yo dije “chévere” durante la conversación. Hasta en el Congreso una asistente me dijo que mi ponencia estuvo “chévere”. Creo que es la palabra más conocida de Venezuela internacionalmente, a pesar de que sea también muy utilizada en Colombia.

 

Quedé impresionado con la cantidad de turistas brasileños en Buenos Aires. Son tantos que muchos moradores tienen facilidad para hablar portugués, o por lo menos portuñol. Es más, si los porteños encuentran que una persona es turista, ¡le hablan en portugués! De hecho, muchos brasileños ni se esforzaban mucho por hablar español, incluso yo en la Casa Rosada (el palacio presidencial argentino) tuve que hablar en portugués con una muchacha que me preguntó dónde obtuve una postal que allá repartían a los visitantes y cómo reservar para hacer la visita guiada. Esto demuestra la gigante hermandad de dos grandes países que solo son enemigos en el fútbol.

 

La riqueza del idioma no tiene fronteras, y cada país revela su historia y realidad cultural cuando habla. Nada queda oculto.

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publicado às 18:11

Várias leituras, várias finalidades

por Ricardo Tavares Lourenço, em 20.07.11

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

Ler es ressuscitar ideias sepultadas no papel

Simón Rodríguez

 

Que outros presumam dos livros que lhes têm sido dado escrever,

eu presumo de aqueles que me foi dado ler...

Jorge Luis Borges

 

A leitura é considerada uma das destrezas receptivas, mas não passivas, que usa o homem quando se comunica. Embora seja receptiva, o ato de ler implica una labor mental importante, porque consiste em decodificar uma série de códigos que partilha com o emissor, com a finalidade de obter e compreender uma mensagem.

 

Mas este processo, em aparência mecánico, requer do leitor grande concentração (se não, seria um analfabeto funcional), dado que entram em jogo múltiplos fatores linguísticos, cognitivos, físicos, entre outros.

 

A finalidade ao momento de ler pode variar significativamente a nossa compreensão da mensagem, nosso ánimo ou disposição para empreender esta tarefa, e até ferramentas a usar. Este aspecto é o que me motiva a escrever este texto.

 

Vou explicar este fato a partir da minha própria experiência. Na atualidade considero que tenho várias maneiras de ler conforme os meus objetivos específicos: por estudo, por trabalho, para comunicar, por informação, por prazer.

 

Ler por estudo

 

Isto tem sido frequente nos meus estudos universitários tanto de pré-grado como de pós-graduação. A leitura é pausada, porque é requerida grande concentração para compreender todos os conceptos teóricos y explicações que o autor oferece no texto (se se tratar de textos académicos). Ferramentas como dicionários, papel e lápis são necessárias para esclarecer dúvidas de vocabulário, tomar nota de conceptos chave, elaboração de resumos… Muitas vezes torna-se exaustiva a leitura se existir a pressão de reter grandes quantidades de informação para logo ser expostas na sala de aula a través de intervenções y exposições, ou demonstrar conhecimentos num exame.

 

Ler por trabalho

 

O meu trabalho consiste em corrigir os erros de livros e artigos de revistas que vão ser publicados. Cá a leitura é ainda mais lenta, embora a finalidade em si não consista em compreender a mensagem. É claro, há que tomar conta do que está escrito só com o objetivo de detectar erros de ortografia, gramática, elementos ortotipográficos não unificados, etc. A quantidade de ferramentas a utilizar é maior: canetas de tinta vermelha, highlighters, tipp-ex, post-it, dicionários, enciclopédias, manuais de estilo, gramáticas, computador com conexão à Internet... A leitura é total, no sentido de que são lidos até os créditos da publicação, encabeçados, sequência de páginas, capas, contracapas, detalhes que numa leitura convencional não são considerados. A pressão existente nesta leitura não consiste na retenção de informação, mas na eficácia do trabalho de correção e no tempo de entrega acordado.

 

Quando escrevo, também empreendo uma leitura de trabalho dos rascunhos. Tenho comprovado que a revisão dum texto feita pelo seu próprio autor é bem diferente da executada por um revisor de textos profissional: o autor esmera-se em detectar erros de fundo mais do que de forma, completar onde acha há carências, eliminar o supérfluo. O revisor profissional, pelo contrário, esmera-se em detectar erros de forma mais do que de fundo, além de contemplar a obra final no seu conjunto como acima se explicou. Isto deve-se a que o revisor profissional nao é experto nos múltiplos tópicos especializados que toca-lhe corrigir, e por isso deve fixar-se ao essencialmente linguístico e ortotipográfico (conforme aos usos que exige o estilo e o género literário correspondente), o que no impede que suspeite de algum descuido ou contradição de fundo, em cujo caso deve tomar as medidas pertinentes.

 

Ler para comunicar

 

Esta é a destreza que desenvolvo em duas circunstâncias: quando leio a palavra de Deus na missa e quando devo dirigir-me a uma audiência especializada numa apresentação. Ambas as atividades possuem características que as diferenciam entre si, embora tenham em comum a leitura em voz alta dirigida a um grupo de pessoas. No caso da missa, devo fazer uma leitura prévia do texto, pois devo conhecer o conteúdo, as palavras que o enfatizam, aqueles topónimos ou nomes de difícil pronúncia... Sobre isto tenho uma história: o pároco da minha paróquia, o padre Rafael Cartaya, insistia na pronúncia do esse na palavra nos, porque na Venezuela esta consoante em posição coda tende a ser aspirada e mesmo elidida, com o risco de que seja percebido tudo o contrário. Um exemplo deste fenómeno é esta frase tomada do salmo 66 «que nos bendiga Dios [que Deus nos abençoe]»; se não for pronunciado o esse como fricativo alveolar surdo /s/, mas como fricativo glotal surdo /h/ – considerando até a distorção sonora que por vezes gera o microfone –, o ouvinte poderia perceber «que no bendiga Dios [que Deus não abençoe]». Seguindo nas considerações deste tipo de leitura, conhecer o género literário do texto é de grande importância, devido a que o tom da leitura mudará notavelmente em cada caso: uma narração não pode ser lida do mesmo jeito que um salmo, que uma epístola ou mesmo que a Paixão de Cristo que é lida na Semana Santa (Domingo de Ramos e Sexta Feira Santa), onde o leitor le  protagonizando um papel (quer como narrador, quer como as vozes da gente, quer como as palavras de Jesus, que neste caso o interpreta o sacerdote celebrante), o que implica um ligeiro toque de dramatização.

 

Quanto à leitura levada a cabo numa apresentação, esta pode ser optativa. Geralmente eu prefiro ler o meu próprio texto quando me é exigido um rigoroso controle de tempo de intervenção, y essa solução garante que todos os conteúdos sejam abordados dentro do espaço temporal estabelecido. Esta leitura já pede um trabalho prévio de escritura, medição de tempo, controle da velocidade, etc. Em tais circunstâncias complemento esta atividade com uma amostra de algum material visual para que a audiência possa estar orientada.

 

Ler por informação

 

É a atividade que faço quando leio a imprensa, algum livro, páginas de Internet, manuais de instruções, textos de consulta, avisos publicados em cartazes... É uma leitura mais relaxada em comparação com as anteriores e muitas vezes mais veloz e versátil. Não me paro em tantos detalhes como na leitura por estudo, trabalho ou para comunicar, e é a que um empreende com maior frequência ao longo do dia. Vai-se ao texto apenas para captar uma mensagem específica.

 

Ler por prazer

 

Por paradoxal que pareça, chegar a este ponto é difícil, por não dizer impossível, se não se estiver envolvido em alguma das diversas leituras comentadas antes. Esta é uma leitura que empreendo sobre tudo naqueles livros ou textos preferidos por mim, aos quais volto uma e outra vez. Se calhar é a leitura mais relaxada de todas, porque não existe pressão externa de nenhum tipo. É mais livre, porque um retorna àquelas páginas onde está a mensagem desejada, ou também se empreende uma nova aventura lendo um livro recém comprado na livraria u obsequiado por um amigo. O deleite consiste em apreciar os bons conceitos, reflexões e sensações plasmados pelo autor, o modo de escrever tais palavras... A literatura nos seus diversos géneros é um campo aberto para desenvolver este tipo de leitura.

 

Podem-se entrecruzar estas leituras? Sim. Por vezes a leitura de trabalho é feita sobre um texto tão interessante desde o ponto de vista temático que a labor é também informativa ou mesmo agradável. No meu caso particular, desde que trabalho como revisor não posso evitar encontrar detalhes ortotipográficos nas minhas leituras de estudo, informação ou prazer, até nem sou capaz de parar a ação do meu vermelho instrumento perante erros muito graves.

 

***

(Español)

 

VARIAS LECTURAS, VARIAS FINALIDADES

 

Ricardo Tavares L.

 

Leer es resucitar ideas sepultadas en el papel

Simón Rodríguez

 

Que otros se jacten de los libros que les ha sido dado escribir,

yo me jacto de aquéllos que me fue dado leer...

Jorge Luis Borges

 

La lectura es considerada una de las destrezas receptivas, que no pasivas, que emplea el hombre al momento de comunicarse. Aunque sea receptiva, el acto de leer implica una labor mental importante, puesto que consiste en decodificar una serie de códigos que comparte con el emisor, con la finalidad de obtener y comprender un mensaje.

 

Pero este proceso, en apariencia mecánico, requiere del lector gran concentración (si no, sería un analfabeto funcional), dado que entran en juego múltiples factores lingüísticos, cognitivos, físicos, entre otros.

 

La finalidad que se persigue al momento de leer puede variar significativamente nuestra comprensión del mensaje, nuestro ánimo o disposición para emprender esta tarea, e incluso herramientas a emplear. Este aspecto es lo que me empuja a escribir este texto.

 

Voy a explicar este hecho a partir de mi propia experiencia. En la actualidad considero que tengo varias maneras de leer según mis finalidades específicas: por estudio, por trabajo, para comunicar, por información, por placer.

 

Leer por estudio

 

Esto es frecuente en mis estudios universitarios tanto de pregrado como de postgrado. La lectura es pausada, puesto que se requiere de gran concentración para comprender todos los conceptos teóricos y explicaciones que el autor ofrece en el texto (si se trata de textos académicos). Herramientas como diccionarios, papel y lápiz son necesarias para aclarar dudas de vocabulario, tomar nota de conceptos clave, elaboración de resúmenes… Muchas veces se torna exhaustiva la lectura si existe la presión de retener grandes cantidades de información para luego ser expuestas en clase a través de intervenciones y exposiciones, o demostrar conocimientos en un examen.

 

Leer por trabajo

 

Mi trabajo consiste en corregir las erratas de libros y artículos de revistas que serán publicados. Aquí la lectura es aún más lenta, aunque la finalidad en sí no consista en comprender el mensaje. Por supuesto, hay que estar al tanto de lo que está escrito sólo con el objetivo de detectar errores de ortografía, gramática, elementos ortotipográficos no unificados, etc. La cantidad de herramientas a utilizar es mayor: bolígrafos de tinta roja, resaltadores, tipp-ex, post-it, diccionarios, enciclopedias, manuales de estilo, gramáticas, computadora con conexión a Internet... La lectura es total, en el sentido de que se leen hasta los créditos de la publicación, encabezados, secuencia de páginas, portada, contraportada, detalles que en una lectura convencional no son considerados. La presión existente en esta lectura no consiste en la retención de información, sino en la eficacia del trabajo de corrección y en el tiempo de entrega acordado.

 

Cuando escribo, también emprendo una lectura de trabajo de los borradores. Aquí he comprobado que la corrección de un texto emprendida por su propio autor es distinta a la ejecutada por un corrector de textos profesional: el autor se esmera en detectar errores de fondo más que de forma, completar donde cree hay carencias, eliminar lo superfluo. El corrector profesional, por el contrario, se esmera en detectar errores de forma más que de fondo, además de contemplar la obra final en su conjunto como arriba se explicó. Esto se debe a que el corrector profesional no es experto en los múltiples tópicos especializados que le toca revisar, por lo que debe atenerse al aspecto netamente lingüístico y ortotipográfico (conforme a los usos que exige el estilo y el género literario correspondiente), lo que no impide que sospeche de algún descuido o contradicción de fondo, en cuyo caso debe tomar las medidas pertinentes.

 

Leer para comunicar

 

Esta es la destreza que desarrollo en dos circunstancias: cuando leo la palabra de Dios en misa y cuando debo dirigirme a una audiencia especializada en una ponencia. Ambas actividades poseen características que las diferencian entre sí, pese a tener en común la lectura en voz alta dirigida a un grupo de personas. En el caso de la misa, debo hacer una lectura previa del texto, pues debo estar al tanto del contenido, las palabras que lo enfatizan, aquellos topónimos o nombres de difícil pronunciación... Sobre esto tengo una anécdota: el párroco de mi parroquia, el padre Rafael Cartaya, hacía hincapié en la pronunciación de la ese en la palabra nos, dado que en Venezuela esta consonante en posición coda suele ser aspirada e incluso elidida, corriendo el riesgo de que se entienda todo lo contrario. Un modo de entender gráficamente este fenómeno es esta frase tomada del salmo 66 «que nos bendiga Dios»; si no se pronuncia la ese como fricativa alveolar sorda, sino como fricativa glotal sorda –considerando incluso la distorsión sonora que por veces genera el micrófono–, el oyente pudiera entender «que no bendiga Dios». Siguiendo en las consideraciones de este tipo de lectura, estar claro sobre el género literario del texto es de suma importancia, debido a que el tono de la lectura cambiará notablemente según concierna: una narración no puede ser leída de la misma manera que un salmo, que una carta o incluso que la Pasión de Cristo que se lee en Semana Santa (Domingo de Ramos y Viernes Santo), en donde ya el lector lee protagonizando un papel (bien como narrador, bien como las voces de la gente o bien como las palabras de Jesús, que en este caso lo interpreta el sacerdote celebrante), lo que implica un ligero toque de histrionismo.

 

En cuanto a la lectura llevada a cabo en una ponencia, ésta puede ser optativa. Por lo general prefiero leer mi propio texto cuando se me exige un riguroso control de tiempo de intervención, y tal solución garantiza que todos los contenidos sean abordados dentro del espacio temporal establecido. Esta lectura ya pide un trabajo previo de escritura, medición de tiempo, control de la velocidad, etc. En tales circunstancias complemento esta actividad con una muestra de algún material visual para que la audiencia pueda estar ubicada.

 

Leer por información

 

Es la actividad que emprendo cuando leo la prensa, algún libro, páginas de Internet, manuales de instrucciones, textos de consulta, avisos publicados en carteleras... Es una lectura más relajada en comparación con las anteriores y muchas veces más veloz y versátil. No me detengo en tantos detalles como en la lectura por estudio, trabajo o para comunicar, y es la que uno emprende con mayor frecuencia a lo largo del día. Se acude al texto apenas para captar un mensaje específico.

 

Leer por placer

 

Por paradójico que parezca, llegar a este punto es difícil, por no decir imposible, si no se está involucrado en alguna de las diversas lecturas comentadas antes. Esta es una lectura que emprendo sobre todo en aquellos libros o textos preferidos por mí, a los cuales acudo una y otra vez. Es tal vez la lectura más relajada de todas, porque no existe presión externa de ningún tipo. Es más libre, porque se acude a aquellas páginas donde está el mensaje deseado, o también se emprende una nueva aventura leyendo un libro recién comprado en la librería u obsequiado por un amigo. El deleite consiste en apreciar los buenos conceptos, reflexiones y sensaciones plasmados por el autor, el modo de escribir tales palabras... La literatura en sus diversos géneros es un campo abierto para desarrollar este tipo de lectura.

 

¿Se pueden entrecruzar estas lecturas? Sí. A veces la lectura de trabajo se hace sobre un texto tan interesante desde el punto de vista temático que la labor es también informativa o incluso placentera. En mi caso particular, desde que trabajo como corrector no puedo evitar encontrar detalles ortotipográficos en mis lecturas de estudio, información o placer, incluso no soy capaz de detener la acción de mi bermejo instrumento ante erratas muy graves.

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publicado às 19:25

Conhecimento gramatical: ser experto ou utente?

por Ricardo Tavares Lourenço, em 22.04.11

 

(Português)

 

Ricardo Tavares L.

 

Ouço com muita frequência que o conhecimento gramatical não é importante para saber usar uma língua, que o primordial é saber ler e escrever. Embora seja verdade que as crianças aprendem a falar sem saber exactamente as partes da oração, também é verdade que um conhecimento apropriado das regras da língua ajudar-nos-á a ler, escrever e até falar com maior correcção e precisão.

 

Mas é um dever o conhecimento da língua ao nível dum linguista ou professor? Não necessariamente. Podemos fazer as seguintes comparações: uma pessoa terá capacidade de dirigir um carro, pôr gasolina, medir a quantidade de óleo no motor ou até trocar um pneu ou bateria, mas se o carro tiver uma falha ou problema, a pessoa leva-o para a oficina mecânica, onde um experto o consertará. Também acontece o mesmo com os computadores: uma pessoa pode saber ligar e desligar, guardar e apagar arquivos em ficheiros, navegar pela internet, etc., mas se um dia o computador tem um problema com a memória ou um vírus informático, então esse computador só pode ser concertado por um perito em computação. Em síntese, não faz falta ser experto em mecânica para conduzir um automóvel ou um engenheiro em informática para utilizar um computador, mas se tivermos esses conhecimentos, o nosso uso será mais eficiente.

 

O mesmo podemos dizer no campo da linguagem: para escrever ou falar um idioma não é necessário ser linguista, mas quando existem dúvidas no uso correcto duma palavra ou frase, consultamos os dicionários e gramáticas escritos pelos expertos da linguagem. Se enviarmos um livro a uma editorial, lá estarão os revisores, que corrigirão os erros de escrita e estilo que a obra tenha. Se precisamos que um texto seja traduzido, procuramos ao profissional da tradução.

 

É impossível que todos sejamos expertos em tudo, mas podemos ter os conhecimentos básicos para desenrascar-nos sem grandes dificuldades. Por isso sempre será muito importante o ensino da gramática, quer para ser expertos, quer para ser utentes da linguagem.

 

***

 

(Español)

 

CONOCIMIENTO GRAMATICAL: ¿SER EXPERTO O USUARIO?

 

Ricardo Tavares L.

 

Oigo con mucha frecuencia que el conocimiento gramatical no es importante para saber usar una lengua, que lo primordial es saber leer y escribir. Aunque sea verdad que los niños aprenden a hablar sin saber exactamente las partes de la oración, también es verdad que un conocimiento apropiado de las reglas de la lengua nos ayudará a leer, escribir y aun hablar con mayor corrección y precisión.

 

¿Pero es un deber el conocimiento de la lengua al nivel de un lingüista o profesor? No necesariamente. Podemos hacer las siguientes comparaciones: una persona tendrá capacidad de manejar un carro, echar gasolina, medir la cantidad de aceite en el motor o incluso cambiar un neumático o batería, pero si el carro tiene una falla o problema, la persona lo lleva al taller mecánico, donde un experto lo arreglará. También ocurre lo mismo con las computadoras: una persona puede saber encender y apagar, guardar y borrar archivos en ficheros, navegar por internet, etc., pero si un día la computadora tiene un problema con la memoria o un virus informático, entonces esa computadora solo puede ser arreglada por un perito en computación. En síntesis, no hace falta ser experto en mecánica para conducir un automóvil o un ingeniero en informática para utilizar una computadora, pero si tenemos esos conocimientos, nuestro uso será más eficiente.

 

Lo mismo podemos decir en el campo del lenguaje: para escribir o hablar un idioma no es necesario ser lingüista, pero cuando existen dudas en el uso correcto de una palabra o frase, consultamos los diccionarios y gramáticas escritos por los expertos del lenguaje. Si enviamos un libro a una editorial, allá estarán los correctores, quienes corregirán los errores de escritura y estilo que la obra tenga. Si necesitamos que un texto sea traducido, buscamos al profesional de la traducción.

 

Es imposible que todos seamos expertos en todo, pero podemos tener los conocimientos básicos para desenvolvernos sin grandes dificultades. Por eso siempre será muy importante la enseñanza de la gramática, bien para ser expertos, bien para ser usuarios del lenguaje.

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publicado às 14:48


Prof. Ricardo Tavares L.

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